segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mochilão América do Sul: o embarque (ou não)

Sabem a Lei da Atração? Ela acontece. Então, cuidado com o que você deseja, pois você pode conseguir...

E quem quer mochilão quer aventura, né?

Então...

Chegamos no balcão da Gol para embarcar para Santa Cruz e, 40 minutos antes do avião sair, a equipe da Gol vetou nosso embarque porque, para viajar, precisaríamos ter tomado a vacina contra a febre amarela no mínimo dez dias antes do embarque, e no nosso certificado de vacinação contra a Febre Amarela (esse aí debaixo), constava apenas 8 dias!

E não adiantou chorar nem descabelar, porque eles foram irredutíveis. Alegaram que era nossa segurança, que a equipe da Bolívia ia pedir o certificado e iam mandar a gente de volta, etc, etc.

Perdemos o vôo. E sabe aquele roteiro fofo e bonitinho que eu fiz para vocês no post anterior? Explicado com todo o carinho? Esquece.

E sabe o hostel que eu reservei para nossa chegada em La Paz? Esquece.

Nós, naquele átimo de segundo em que eu e Rochane nos entreolhamos com a pergunta “E agora, o que a gente faz?” estampada na testa e ao ponto de matar a tiazinha da Gol, nos veio aquela iluminação divina, que diz que a ordem dos fatores não altera o produto, que tudo o que vai tem que voltar e que, se um roteiro é feito no sentido Santa Cruz – Buenos Aires, o inverso também deve ser possível de fazer. E com base nisso (ou seja, em nada!), eu e Rochane transformamos nossa passagem de ida para a Bolívia em volta e saímos correndo desesperadamente pelo aeroporto perguntando em todos os balcões quanto era uma passagem de ida para Buenos Aires.

Então assim, sem mais nem menos, um roteiro que levou uma semana para ser feito mudou do avesso, literalmente, em 30 segundos.

No fim das contas, acho que essa inversão teve mais seus prós que contras. Mas foi o suficiente para imprimir o início da nossa viagem um pouco da sensação de aventura que viríamos a sentir várias vezes depois.

Mas conseguimos uma passagem para Buenos Aires por um bom preço, mesmo comprando na hora, pela Varig (saudades!) no mesmo dia. E ainda economizamos um dinheiro na troca da passagem da Gol, porque a volta de Santa Cruz era mais barata que a ida (Aparentemente, sabe lá Deus porque, tem mais gente querendo entrar na Bolívia que sair).

Minha tensão era: como foi em cima da hora, não tinha nenhum albergue reservado para a gente. Nada. E se desse problema na hora da imigração? E se o carinha perguntasse onde a gente ficaria hospedada? E se, pelo fato de eu não poder comprovar a reserva, ele me mandasse de volta? Ai, Jisuis!

Escolhemos um albergue qualquer lá da lista que eu tinha levado, viajamos, e entramos tensas na fila da imigração.

E essa é uma das vantagens, pelo menos a única, de ser mulher, brasileira, entrando na Argentina: o tiozinho simplesmente pegou meu passaporte, me mandou vários sorrisos do lado de lá do vidro, murmurou “Humm, brasileña”, perguntou se o meu sobrenome era igual o de Jesus (Nazareth, no caso), e no final mandou um “Bienvenida a Buenos Aires” com um sorriso mega safado e uma piscadinha de olho.

Enfim... Entrei na Argentina sem problemas com o albergue e ainda ganhei uma cantada do oficial... Que delícia!

Mochila nas costas, compras no Duty Free feitas, pegamos um táxi para o albergue selecionado que, infelizmente, estava lotado. Nos indicaram um em San Telmo (um pouco longo, mas já eram 2 da manhã e estávamos legal de aventuras). Albergue encontrado, check in feito, rolou um stress com o taxista (que queria que a gente pagasse bem mais a ele por ter ficado esperando) e fomos finalmente descansar do primeiro dia da nossa viagem do avesso.

PS: Só para fazer um adendo. Em toda a minha viagem, que durou 21 dias, e até depois dela, ninguém, mas ninguém, me pediu o certificado de vacinação contra Febre Amarela, exceto na Gol, neste dia. Saco!

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