quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Salta Parte II: Uma ode às mil belezas das pedras


Vamos ao passeio...

O tour em si é simples, barato, pode ser reservado na própria recepção do hostel, dura o dia inteiro e já tem a refeição incluída. E para curti-lo bem, deve-se pegar a van bem cedo, com o céu ainda escuro. O carro vai subindo uma serra lindíssima e pegamos a estrada para Cafayate, uma cidade minúscula na província de Salta.

Já disse que adoro estradas. Só que desta vez, mesmo que não as adorasse, poderia garantir que só a passagem por rota de ida a Cafayate já valeria o ingresso do passeio.

A região é bem seca, meio desértica, ao pé das montanhas e onde corre muito vento. Na prática mesmo, a estrada de Salta só tem pedra. Mas se nas leis de química é exatamente a combinação de seus elementos que faz nascer os milagres da natureza, pode-se dizer que a magia de Salta reside na sintonia perfeita entre as pedras e os seus diversos companheiros: a água, as cores, o vento, o asfalto, as uvas... e a música.

Cada um encenando seu papel com perfeição. Cada trecho de viagem uma beleza única...


A Pedra e a Água



A beleza da cenário formado pela dança entre pedras e águas é o primeiro a nos encher os olhos. Antes de chegar à parte mais seca da estrada, é preciso passar por um trecho de subida bastante elevado, que por causa da altitude e das condições do lugar, é uma região que apresenta precipitação de água. Quase todos os dias está chovendo, aquela garoazinha bem fininha e bem gostosa, quase um daqueles borrifos de água para afastar o calor. E se o ditado diz que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, acredito que a “delicadeza” das chuvas foi o que fez brotar o verde das pedras, ao invés de escavá-las com furor. De todos os lugares, foi a área com mais vegetação do lugar, e a única que encontramos que tinha um riozinho cortando seu vale. Bucólico. Lindo. Delicado.


A Pedra e as Cores

A grande maioria das montanhas da estradas são de um vermelho intenso, diferente das cores de pedra que normalmente conhecemos aqui no Brasil. Isso acontece, segundo o guia, porque as mesmas são ricas em minério de vários tipos, e o que predomina é o cobre e o ferro. Sendo que, em razão dos fortes ventos, muitas montanha estão sendo erodidas e revelando, assim, os minerais que a compõe. É possível ver, numa mesma paisagem e numa mesma montanha, uma única pedra com linhas bem definidas, como veios de sedimentação, das cores vermelha, amarela, marrom e verde (cheias de cobre, manganês, zinco, chumbo, prata etc.)


Não consegui tirar uma foto desta maravilha. Uma pena. Vocês vão ter que ir lá conferir pessoalmente.


A Pedra e o Vento

Após passar pelas montanhas, começamos a descer e a seguir pela região mais desértica. Isso acontece porque a parte mais alta das montanhas retém a umidade dos ventos (por isso sempre está debaixo daquela garoinha), deixando que somente os ventos secos que sigam para a região logo abaixo das montanhas, rumo a Cafayate. O resultado é um lugar bem seco, mas que venta muito. E esse vento vai erodindo as pedras, formando desenhos lindíssimos nas montanhas, como esses “veios paralelos” que formam uma espécie de “trilha” por onde o vento foi canalizado.


Legal isso. Legal ver que até aquilo que não tem forma é capaz de deixar registrada as marcas de sua passagem pela terra. Literalmente.

E uma das grandes formas de arte que o vento esculpiu na pedra está nas fotos abaixo. Uma montanha enorme e vermelha foi sendo desbastada por milhões de anos pelo vento, que formou uma espécie de canyon dentro dela. O resultado é um vale estreito, encravado por dois paredões enormes de pedra, onde até quem é prego em escalada pode se aventurar a fazer algumas subidas, com cuidado. Estar lá dentro é entrar num mundo vermelho vivo – como estar no coração da montanha, com suas enormes veios de pedra e só o barulho do vento zunindo para te fazer companhia. Maravilhas da natureza.


Esta é a entrada do "canyon"...


... e a mesma entrada vista de dentro...



Admirando de relance o paredão...



... e tentando botar o paredão na foto. É tão alto, que não tínhamos como fazer caber a extensão do chão até o topo numa mesma foto, para dar uma idéia da dimensão.



E, andando um pouco mais pra lá de carro, chegamos até a Quebrada de Huamahalca. São paredões de pedra igualmente esculpidos pelo vento, enormes, e que foram considerados sagrados pelos indígenas que habitavam ali. Hoje não é possível nem chegar perto, para não arriscar correr o risco de prejudicar a beleza de lugar com o turismo irregular, de modo que as fotos só podem ser tiradas de longe.



Pausa para uma confissão meio metafísica-psico-teológica para vocês...


Não sei se quem já foi para lá teve essa sensação. Eu nunca fui muito ligada a essas histórias indígenas, xamânicas, etc., embora respeite suas culturas. Mas nesse lugar, e em alguns outros que tinham esse viés místico que visitamos nessa viagem (Macchu Pichu inclusive), eu me sentia muito bem, muito bem mesmo (e, antes que as más línguas comecem, eu juro que não tomei nada, ok! Sóbria all over!). É que os indígenas acreditavam que estes lugares eram sagrados, uma porta de comunicação com os seus deuses. São lugares, portanto, cheios de energia positiva e respeito divino. Então, não sei se o meu “good-feeling” foi por causa dessa vibe, ou por simplesmente estar olhando para algo de uma beleza indescritível. Que seja, então. Afinal, acho que a beleza, em uma de suas mil interpretações, pode ser uma espécie de benção divina para tocar a alma através dos olhos. E não há como não ter a nossa alma em silêncio em locais como esse.


A Pedra e o asfalto

Na verdade, tenho pouco a dizer sobre isso. Deixo então que uma de nossas fotos tome para si a responsabilidade em preencher essa lacuna.

Como eu disse, o bom da estrada é que você não vê o final dela... mas sabe que ela está levando-o para um lugar lindo!


A Pedra e as Uvas




A região de Cafayate, subdistrito de Salta, é árida, luminosa e com muitos ventos. Por isso e mais uma série de outros fatores, é considerado um “terroir” perfeito (expressão francesa sem tradução literal em português, mas que significa uma região com diversas peculiaridades de solo, umidade, luminosidade, e outros atributos que determinam as condições ideais para o cultivo de um tipo específico de uva) para a produção de vinhos.




A mais famosa vinícola que tem lá é a Etchart, que possui vinhos de primeiríssima qualidade. Não fomos visitá-los, infelizmente, mas estava incluído no tour três visitas a vinhedos locais, que cultivavam Cabernet Sauvignon e Torrontès, sendo que essa última é típica da Argentina. Não lembro do nome de todas as vinícolas (na verdade, lembro só de uma, "La Vasija Secreta"). Também não lembro dos vinhos que eu experimentei, o que significa que nenhum me encantou a ponto de merecer um espaço na minha bolsa.


Mas que, mesmo assim, o programa é uma delícia, isso é!


Abaixo, a menina mostrando alguns de seus rótulos para degustação.



E os locais de cada vinícola eram de uma beleza singela. Olhem que delícia!



E a entrada para os vinhedos... Mágico.



Cabernet Sauvignon prestes a ir para a prensagem...


... e o que resta ao sair dela.




Tonéis antigos, usados para fermentação das uvas...



... e os tonéis modernos, mais produtivos e que permitem um melhor controle sobre o processo de produção da bebida.



A Pedra e a Música.

Esse é, acreditem, o ponto alto desse passeio.

A beleza da combinação da música etérea com o peso da pedra.


Depois das visitas de todas as vinícolas e antes de voltar para o albergue, a van parou numa formação rochosa chamada Anfiteatro.

O porquê do nome vocês podem ter uma idéia através da foto abaixo. É uma espécie de abertura "escavada" pelo vento dentro de uma montanha, num formato semelhante ao de um cone. Vocês podem ver as pedras formando o "contorno" da entrada, uma abertura lateral, e onde a base do cone é um pouco mais larga, e vai se estreitando até o topo, que é uma pequena fenda no alto da montanha.

Essa é uma foto tirada por dentro do "cone", tirando o ângulo da abertura. Olhem as pessoas para vocês terem uma idéia do tamanho da coisa... E isso porque não deu para fazer o teto e o chão caberem na mesma foto.


E o que acontece? Esse vão formado pela pedra, com uma pequena abertura lá em cima, dá ao lugar uma acústica fantástica. É realmente um "anfiteatro" natural.

Então, ao entrar lá, tinha uma pequena banda de três músicos indígenas que estavam tocando uma música dentro do anfiteatro. Os instrumentos em si eram simples: um violão sendo dedilhado, uma flauta artesanal e um tamborzinho. E no entanto, o som que produziam fazia crer que havia uma verdadeira orquestra. Eu, zé mané são tomé, juro que fiquei procurando um aparelhinho de som a pilha ali escondido... Nada...

A Sony, LG, Samsumg e demais colegas deveriam dar uma visitada ali antes de produzirem os seus "home-theaters-incredible-surround-sound-3D-blábláblá"... Porque não há nada parecido.


Fotinho minha (de vermelho), para mostrar que estava lá...


E Rochane, sentada e pensativa, ouvindo a música...
(Ah, importante... Ainda tem muuuita parede de pedra para cima)...



E, para compartilhar com vocês nosso momento mágico, segue o vídeo dos músicos do Anfiteatro. Liguem o som... and just feel it...


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Salta - Parte 1




Salta é uma graça... Decididamente, valeu muito a pena conhecê-la.

Fica a mais ou menos 1 hora e meia de vôo de Buenos Aires, o norte da Argentina. É uma cidade menor e mais pobre, e muito da sua população tem mais cara de boliviano que de argentino mesmo. Isso porque são na maioria descendente de índios, e vê pela cidade uma maioria de casas simples e muitas igrejas, herança dos jesuítas. Por isso, é possível ver os traços da fé católica em todas as esquinas.




Nessa simplicidade é possível dar uma volta no quarteirão e ver aquelas cenas cheias de cotidiano, que eu particularmente adoro: grupos de crianças uniformizadas indo ao colégio, tiazinhas indo à igreja e, destacando-se, muitos, muitos gringos mochileiros (nós inclusive) com aquelas mochilas mega coloridas para lá e para cá.





A praça principal (abaixo), 9 de Julio, é linda e é o ponto principal da cidade, tanto para comer quanto para, o caso dos locais, fazer social. Era noitinha quando chegamos à cidade, e só tivemos tempo de deixar as coisas no hostel, tomar um banho e sair para procurar algo para comer – tudo a pé, passeio deliciosamente possível de fazer naquela cidade charmosa.





Bem na praça, nesse prédio enorme de arcos, tem o restaurante Los Cuatro Cantos, que nos serviu uma pizza deliciosa (lembro que era boa. Ou nós que estávamos com fome.), acompanhada da cerveja Salta que, como o nome sugere, de fabricação local. E ainda assistindo um jogo de futebol argentino no telão. Que momento!




Importante: Eu quero deixar claro que definitivamente eu não gosto de cerveja. Nem um pouco. Mas essa foi, até agora, a única que eu gostei. Esta não é uma opinião de uma cervejeira, vejam bem, mas pelo menos pra mim ela bateu, de longe, a famosa Quilmes deles.

Mas quem preferir, tem as mesas também ao ar livre, que ficam cheias de gente (na maioria garotada) que se encontra e fica batendo papo sentado na esquina e bebendo cerveja. Mais cidade do interior, impossível. Experimentamos as duas opções, dentro e fora, e foi bem gostoso.

E para completar o charme, uma volta pela cidade para ver as igrejas, lindas, antigas e com suas portas todas trabalhadas em madeiras. O Convento de San Francisco na cidade, por exemplo, tem uma série de desenhos, todos trabalhados nas paredes vermelhas, e é um dos pontos altos da cidade. É como se gente se sentisse de volta ao século XIX.





Se a cidade de Salta tivesse só isso, ela já seria um charme que por si só já valeria a pena a parada, pelo menos para descansar. Mas o que mais me encantou está um pouco além dos arredores da cidade.

Sigamos a estrada, portanto...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mochilão América do Sul: Buenos Aires (ARG)

Isto é mais ou menos como vimos a cidade nos dois dias que ficamos lá. Tempo chuvoso, com uma garoazinha intermitente, mas nada que atrapalhasse os passeios.

Na verdade, nossa estadia na cidade foi de longe a parte mais legal do passeio, de modo que eu prefiro passar batido por ela.

Esse é o chato, na minha opinião, de cidades grandes e muito conhecidas. Estão sempre cheias de gente e parece que já foram totalmente exploradas.

Então, como nossa idéia inicial era deixar Buenos Aires para o final, como um descanso, se tornar o topo do nosso roteiro tirou essa premissa. Compras, nossa segunda opção para a cidade, só poderia ser feita com moderação, porque ainda teríamos um longo caminho para percorrer de mochila nas costas, e peso desnecessário a mais só contribuiria para nossa hérnia de disco. E quem tivesse pedido para gente trazer alfajores ia recebê-los no formato de mini-pizzas.

Fomos então para a terceira opção: comer e bater perna. Primeiro compromisso do dia foi ir à loja da Aerolineas Argentinas para comprar a passagem para a Salta (100 dólares, aproximadamente) para o fim da tarde do dia seguinte. E depois, bater perna por aí.

Nosso passeio não excedeu em nada o que já é comum de ser oferecido nos tours argentinos mais básicos: uma andadinha pela Calle Florida, visita à Casa Rosada, o Obelisco... No fim das contas, por causa da chuva e da razão estética feminina de se andar debaixo dela (o cabelo fica o ó na foto), muito do que vimos foi através da janela do nosso tour. Caminito, La Bombonera, o tal parque com a flor de metal...

Palermo fomos por nossa conta. É mais longe, mas é charmosa e tem várias lojas off de marcas boas. Não pegamos as melhores promoções, mas como não podíamos sair comprando mesmo, foi o suficiente.

Gastronomia é, definitivamente, o ponto alto de Buenos Aires. Desde os clássicos alfajores (Havana é igual a orelhão, tem um em cada esquina. E possuem mais diversidade de sabores que as lojas daqui. Meu preferido é o branco com doce de leite, mas para quem acha enjoativo, tem um de geléia de frutas que é bem diferente também) até os sorvetes Freddo (o de Dulce de Leche! Perfeito!). Comemos no Burger King (para manter a tradição de conhecer pelo menos um restaurante dele em cada país que visitei. Por incrível que pareça, o único que eu não fui é o do Brasil, aqui no Barrashopping) e no Il Gato em Puerto Madero. Charmoso, com uma massinha interessante e acompanhada por um bom vinho argentino. Tá ótimo para nós.

E tem os shows de tango e noitadas... que não fomos. Culpa minha. Fomos para o hotel dar uma descansada básica para nos preparar para sair à noite. Apaguei completamente.

Concordo com vocês. Meu relato de BsAs não foi muito diferente do que vocês esperavam...

Então, como as fotos clássicas da cidade vocês provavelmente já devem ter e conhecer, seguem então alguns registros, meus e de Rochane, despropositados das nossas andanças por aí:


Eles também amam o Rei!

Utilidade Pública!



Verdade registrada no estádio do Boca Juniors. Para o caso deles esquecerem!


Em Caminito, mais uma verdade para acrescentar à minha filosofia de vida.

E, sem muito mais o que dizer e mostrar, vamos pegar o avião para Salta, que é onde a parte boa começa.



Plantão Dondeando: Mais dois selinhos!

Óia que maravilha! Mais dois selinhos para meu blog, mandados pela minha amiga Amanda, de novo!
Tão bom saber que sua única leitora gosta do que você escreve! hehehe
Então vamos lá: regras do primeiro selinho:



- escrever uma frase, citar um título ou contar uma historinha sobre seis assuntos nos seguintes segmentos: vida, cinema, literatura, viagem, amor e sexo;

- convidar seis colegas de blogs que você realmente considere femininos e inteligentes;

- linkar o blog que a convidou;

- postar as regras para que outras a repassem;

- inserir o selinho que você recebeu do Papo Calcinha.

Minhas respostas:

Vida: Feita para jornadas e não destinos.

Cinema: Adoro, mas confesso que tem tempo que não vou. Gosto de todo estilo (menos besteirol e terror), mas gosto mais de filmes com bons argumentos do que com efeitos especiais.

Literatura: Adoro tudo, dos mais cabeçais ao mais populares. Mas um que me marcou muito foi "A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera.

Viagem: Adoro, tenho a meta de sempre fazer uma viagem grande por ano. Odeio excursão, gosto de fazer as coisas seguindo meu ritmo e curiosidade. E tenho uma predileção especial por lugares exóticos e diferentes!

Amor: Minha família, meus amigos, eu, Deus e as pequenas coisas que Ele me dá.

Sexo: Delicioso!


A regras do selinho nota 10 é escrever uma lista com 8 características minhas.

São elas:

1. Simpática

2. Amiga

3. Impulsiva às vezes

4. Prática

5. Exagerada (também às vezes! Mas faz parte do meu show!)

6. Despachada

7. Transparente

8. Leal

E finalmente, convidar 6 blogueiros para receber os selinhos (sempre a parte mais difícil):

1 - http://alinemoreiracosta.blogspot.com/

2 - http://amandaericardo2010.blogspot.com/

3 - http://amandamcosta.blogspot.com/

4 - http://casareino.blogspot.com/

5 - http://thefashiontutti-fruttihat.blogspot.com/

6 - http://varejoonline.blogspot.com/

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mochilão América do Sul: o embarque (ou não)

Sabem a Lei da Atração? Ela acontece. Então, cuidado com o que você deseja, pois você pode conseguir...

E quem quer mochilão quer aventura, né?

Então...

Chegamos no balcão da Gol para embarcar para Santa Cruz e, 40 minutos antes do avião sair, a equipe da Gol vetou nosso embarque porque, para viajar, precisaríamos ter tomado a vacina contra a febre amarela no mínimo dez dias antes do embarque, e no nosso certificado de vacinação contra a Febre Amarela (esse aí debaixo), constava apenas 8 dias!

E não adiantou chorar nem descabelar, porque eles foram irredutíveis. Alegaram que era nossa segurança, que a equipe da Bolívia ia pedir o certificado e iam mandar a gente de volta, etc, etc.

Perdemos o vôo. E sabe aquele roteiro fofo e bonitinho que eu fiz para vocês no post anterior? Explicado com todo o carinho? Esquece.

E sabe o hostel que eu reservei para nossa chegada em La Paz? Esquece.

Nós, naquele átimo de segundo em que eu e Rochane nos entreolhamos com a pergunta “E agora, o que a gente faz?” estampada na testa e ao ponto de matar a tiazinha da Gol, nos veio aquela iluminação divina, que diz que a ordem dos fatores não altera o produto, que tudo o que vai tem que voltar e que, se um roteiro é feito no sentido Santa Cruz – Buenos Aires, o inverso também deve ser possível de fazer. E com base nisso (ou seja, em nada!), eu e Rochane transformamos nossa passagem de ida para a Bolívia em volta e saímos correndo desesperadamente pelo aeroporto perguntando em todos os balcões quanto era uma passagem de ida para Buenos Aires.

Então assim, sem mais nem menos, um roteiro que levou uma semana para ser feito mudou do avesso, literalmente, em 30 segundos.

No fim das contas, acho que essa inversão teve mais seus prós que contras. Mas foi o suficiente para imprimir o início da nossa viagem um pouco da sensação de aventura que viríamos a sentir várias vezes depois.

Mas conseguimos uma passagem para Buenos Aires por um bom preço, mesmo comprando na hora, pela Varig (saudades!) no mesmo dia. E ainda economizamos um dinheiro na troca da passagem da Gol, porque a volta de Santa Cruz era mais barata que a ida (Aparentemente, sabe lá Deus porque, tem mais gente querendo entrar na Bolívia que sair).

Minha tensão era: como foi em cima da hora, não tinha nenhum albergue reservado para a gente. Nada. E se desse problema na hora da imigração? E se o carinha perguntasse onde a gente ficaria hospedada? E se, pelo fato de eu não poder comprovar a reserva, ele me mandasse de volta? Ai, Jisuis!

Escolhemos um albergue qualquer lá da lista que eu tinha levado, viajamos, e entramos tensas na fila da imigração.

E essa é uma das vantagens, pelo menos a única, de ser mulher, brasileira, entrando na Argentina: o tiozinho simplesmente pegou meu passaporte, me mandou vários sorrisos do lado de lá do vidro, murmurou “Humm, brasileña”, perguntou se o meu sobrenome era igual o de Jesus (Nazareth, no caso), e no final mandou um “Bienvenida a Buenos Aires” com um sorriso mega safado e uma piscadinha de olho.

Enfim... Entrei na Argentina sem problemas com o albergue e ainda ganhei uma cantada do oficial... Que delícia!

Mochila nas costas, compras no Duty Free feitas, pegamos um táxi para o albergue selecionado que, infelizmente, estava lotado. Nos indicaram um em San Telmo (um pouco longo, mas já eram 2 da manhã e estávamos legal de aventuras). Albergue encontrado, check in feito, rolou um stress com o taxista (que queria que a gente pagasse bem mais a ele por ter ficado esperando) e fomos finalmente descansar do primeiro dia da nossa viagem do avesso.

PS: Só para fazer um adendo. Em toda a minha viagem, que durou 21 dias, e até depois dela, ninguém, mas ninguém, me pediu o certificado de vacinação contra Febre Amarela, exceto na Gol, neste dia. Saco!

América do Sul: o roteiro...


Então, continuando...

O roteiro inicial da viagem, como eu havia dito, foi feito com base nas dicas dadas nos fóruns de discussão do site Mochileiros.com

Então, a idéia era fazer:

Rio (BRA) – Santa Cruz de La Sierra (BOL): Num vôo da Gol.

Santa Cruz – La Paz (BOL): Também de avião. Compraríamos as passagens assim que chegássemos no aeroporto. A alternativa de fazer esse percurso de ônibus foi imediatamente descartada quando soube que seriam 18 horas num ônibus, numa estrada super esburacada, numa subida absurda ( a parte da cidade de La Paz está a 3.000 metros de altura) e com um monte de gente catinguenta junto. É exigir muito do meu espírito de aventura.

La Paz – Copacabana (BOL): Apenas 4 horinhas de viagem de ônibus, com direito a conhecer essa cidadezinha de nome familiar e às margens do Lago Titicaca.

Copacabana (BOL) – Cuzco (PER): 15 horas de viagem, que dão perfeitamente para fazer à noite, de ônibus. E aí curtir uns 5 dias em Cuzco, para conhecer tudo com calma.

Cuzco – Arequipa – Tacna (PER) – Arica (CHL): Um dia de viagem. Pegaríamos um ônibus em Cuzco que nos deixaria em Arequipa, viajando de noite. De lá, outro ônibus até Tacna, onde algumas vans fazem “lotada” para atravessar a fronteira (o que seria tranqüilo, segundo os depoimentos) e nos deixam em Arica, cidade no extremo norte do Chile.

Arica – San Pedro de Atacama (CHL): Após dois diazinhos em Arica relaxando na praia, uma viagem noturna de bus para conhecer San Pedro.

San Pedro de Atacama (CHL) – Altiplanos Bolivianos – Salar de Uyuni (BOL): Aventura total! Em San Pedro existem alguns tours de 4X4 de 1, 2 e 3 dias, que levam para conhecer os Altiplanos Bolivianos, o deserto de Atacama, os salares bolivianos e chilenos, gêiseres, dentre outros. Obviamente, a quantidade de lugares a ser visitada varia de acordo com o tempo disponível que você tem para o deslocamento. Aproveitaríamos então a viagem e faríamos o tour de 3 dias, de San Pedro a Uyuni, na Bolívia, o que já cobriria um trecho do nosso roteiro e ainda conheceríamos o Salar de Uyuni, maior que o do Atacama, e os altiplanos.

Uyuni – Villazón (BOL) – La Quiaca – Salta (ARG): De Uyuni pegaríamos um trem e desceríamos até Villazón, uma cidadezinha minúscula na fronteira com a Argentina. De lá ultrapassaríamos a pé a fronteira (que, segundo os relatos, era tranqüilo) e de lá pegaríamos um ônibus e viajaríamos à noite para Salta.

Salta – Buenos Aires (ARG): Dois diazinhos para curtir Salta, que pelo que eu sabia era uma cidade fofa, com muitas vinícolas de ar mais bucólico que as existentes no eixo Mendoza – Santiago). E de lá, aviãozinho para Buenos Aires.

Buenos Aires (ARG) – Rio (BRA): Mais dois dias para bater perna por Buenos Aires e depois de tanto deserto, nos rendermos às delícias da civilização, dos colchões de mola, dos chuveiros aquecidos e das compras, antes de, enfim, voltar para casa.


No mapa, segue um traçado em verde, feito igual à minha cara, pelo menos dos trechos de La Paz até Salta, para ilustrar:





Bom, esse era o roteiro inicial. Era...

Rochane, minha amiga fofa, guerreira e companheira de viagem, aprovou o roteiro. Acho que ela confiou em mim... Mal sabia ela a enrascada que ela tava se metendo. Eu realmente devo ter uma cara de pessoa muito responsável!

A verdade é que nós não tínhamos nenhum hotel já reservado, nem mesmo as passagens de ônibus compradas. Eu tinha a teoria, comprovada através das opiniões dos outros, de que o roteiro era viável e que, uma vez chegando nos balcões das rodoviárias, conseguiríamos desenrolar o transporte. Eu tinha, sim, uma lista das principais empresas de viação dos quatro países que íamos visitar para servir de referência, e outra lista com os hostels de cada cidade que iríamos passear (exceto todas as da Bolívia. Aliás, acho que nem o Google conhece a Bolívia.).

No fim das contas, esperávamos que os transportes é que fossem o toque de “aventura” da viagem. A hospedagem seria algo mais certo, para evitar a falta de vagas, mas definiríamos aos poucos. Por exemplo, uma vez chegando numa cidade, já iríamos a uma lan house para reservar a estadia na cidade seguinte. Isso nos dava liberdade de optar, por exemplo, se quiséssemos ficar um dia a mais ou a menos em um lugar. E a verdade é que isto nos salvou em mais de um imprevisto.


Dito isto, arrumamos nossas malas e fomos, lépidas e contentes, para o aeroporto.

sábado, 1 de agosto de 2009

Mais um Selinho!


Olha que maravilha, mais um selinho! Na verdade eu tinha ganho ele junto com o outro, mas como a dona deste blog, além de show, é cega, eu não vi.

Coloco ele então agora, para vocês, e mais uma vez agradeço minha amiga Amanda, que me indicou (aparentemente minha única leitora, ou pelo menos a única que gosta!). Thanks!

E, como eu já observei nessa incursão leiga no mundo dos blogs, todo selinho está incluso naquela lei universal que diz que tudo na vida tem o seu preço. No caso, exige umas regrinhas que tem que ser respondidas... E como eu, após concluir através dessa rápida pesquisa de marketing que minha única leitora me acha show (público alvo 100% satisfeito, portanto!), vou a elas:

Segue as regrinhas desse selinho:

Publicar o selinho e indicar o blog que o repassou:
Recebi do blog pré-casório da Amanda: http://amandaericardo2010.blogspot.com/

Responder o questionário abaixo:

1- Você é casada?
R: Não.

2-Tem quantos filhos?
R: Tenho um gato, serve? Dá mais trabalho que criança, esse bicho!

3. Fuma?
R: Não.

4. Bebe?
R: Não.

5. Tem compulsão por algum tipo de comida?
R: Pão, de todos os tipos (italiano, australiano, de queijo, de batata, recheado... Ai ai)

6. Prefere Calor ou Frio?
R: Ah, gosto dos dois, dependendo claro do lugar de onde se está curtindo. Mas não gosto de extremos: nem do calor de rachar nem do frio que congelante.

7.Prefere Doce ou Salgado?
R: Doce. Droga...

8. Qual sua profissão?
R: Jornalista.

9. Ultimo filme que você viu?
R: Inimigos Públicos, com Johnny Depp e Marion Cottilard.

10. Qual foi o dia mais feliz da sua vida?
R: Poxa, teve vários. É bom saber que foram mais de um e que não dá para escolher um específico. Mas posso dizer que os melhores foram em alguma viagem, e principalmente por causa da companhia... Os mais recentes que me passaram pela cabeça agora e que foram marcantes foram o meu Natal de 2008 e o reveillón de 2009. Estava viajando com minha prima Giselle e foi muito significativo ter estado esses dias com ela.

Indicar 5 blogueiras merecedoras do selinho e avisá-las (essa é sempre a parte mais difícil, porque não conheço muitos!)

1 - http://alinemoreiracosta.blogspot.com/
2 - http://amandamcosta.blogspot.com/
3 - http://casareino.blogspot.com/
4 - http://thefashiontutti-fruttihat.blogspot.com/
5 - http://varejoonline.blogspot.com/