



Relatos e dicas inusitados (e outros nem tanto) de viagens e "dondeandei" por aí... por Clarissa Donda







Uyuni é uma cidadezinha (inha!) que fica no meio dos altiplanos bolivianos, a aproximadamente 3.650 metros de altitude (mais alto que Macchu Pichu, portanto, que fica em torno dos 2.400). Então, de cara, o que você pode sentir, e muito, são os efeitos da altitude. Cometemos o erro de ir muito rápido de uma cidade com altitude bem mais baixa para outra bem mais alta. Se você quiser fazer o passeio e tiver tempo, tente ficar pelo menos uns 3 dias em uma cidade com altitude menor, pelo menos, para o seu corpo ir se acostumando com os efeitos.
Mal-estar:
Mas se você for guerreiro que nem a gente, prepare-se psicologicamente: a dor de cabeça é insuportável (fica latejando, interminavelmente) e dificilmente alguma coisa melhora. Eu tomava uma média de 2 a três analgésicos dia (e com isso a pressão ia lá pra baixo. Ou seja, piorava ainda mais). Outra coisa é o enjôo. Há quem vomite feio com tudo o que se comia (eu!) e há quem não, mas a comida nunca desce bem, é difícil digerir. E para quem tem taquicardia também é bom levar algum remédio, porque lá pequenos esforços (andar 20 metros) parece que vai fazer o coração saltar da boca.
Ajuda: Leve analgésico, se possível pão ou sanduíche (qualquer coisa menos temperada possível) se seu estômago for meio sensível, chá ou balinhas de coca como as da foto abaixo (não, não dão barato nenhum, e pelo contrário, são remédios e ajudam bastante contra o mal estar) e compre um remédio chamado Soroche Pills, que é contra os males da altitude. 2 por dia - foi o que nos salvou lá...

Higiene:
É uma cidade no meio do deserto. Então, comprem tudo antes de chegar lá, porque dificilmente vocês vão achar algo semelhante a uma farmácia. Recomendo comprar antes e levar na mochila:
-Água;
- Papel Higiênico (os banheiros quase nunca tem água, que dirá papel. Preferem tentar a sorte?);
- Hidratante para o corpo (Uyuni fica no meio de um deserto de sal, ainda por cima... A pele fica branquinha de tão ressecada! Então escolha o mais emoliente possível).
- Hidratante labial (absurdamente necessário, se você ainda quiser ter lábios quando voltar);
- Protetor solar (protege do sol, do ressecamento e do frio também, que faz à noite);
E, por fora, eu sugiro ainda às meninas que comprem aqueles pacotes de baby wipes, de neném, sabe? Teve um dia lá que não deu para tomar banho porque simplesmente não tinha água. Então esses lencinhos quebravam o galho pelo menos para tirar a crosta de poeira da pele.
E porque lhes digo isso? Porque, como digo no meu perfil, minha paixão por viagens é diretamente proporcional à minha preocupação com a estética. Então, força na necessáire!! Porque de nada vale visitar um lugar mega-maravilhoso e não ter coragem de mostrar as fotos depois porque saímos "o-cão-chupando-limão" nelas!
Acessibilidade
Não sei quanto aos outros mochileiros que já visitaram (e por favor, deixem comentários), mas só vi um computador, e mesmo assim era da tia do hostel. Não vi nada parecido com uma lan house. Sinal de celular, então...

Na avenidona principal da cidade (a que está na foto de cima e a última do post anterior) é a que leva da fronteira até a estação. Anda-se, e muito. E é difícil de respirar também. O ar é extremamente seco e a gente ainda não estava acostumada nem com a altitude, nem com a umidade. Paramos para trocar dinheiro (100 dólares dá para comprar 750 bolivianos mais ou menos, e em lugares como Uyuni e Villazón simplesmente dá para passar muito tranquilo - até com, digamos, luxo.
Observação importante sobre o dinheiro na Bolívia:
Depois fomos até a estação (na foto) comprar bilhete do trem (só sai um por dia, em torno de umas 15 horas). Como eram ainda umas 8 da manhã, tínhamos ainda um bom tempo para ficarms morgando pela cidade. E bom é que, se de manhã estávamos com medo porque éramos as única com cara de gringas, aos poucos foi chegando jovens de tudo quanto era lugar do mundo. Tchecos, americanos, canadenses, argentinos, ingleses... Teve uma hora que os locais é que eram minoria.
Compramos, cada uma, duas garrafas de 2 litros (sempre leve sua água, evite tomar a de qualquer lugar por aí. Ou opte pelos refrigerantes, que pelo menos tem as embalagens vedadas), um pão enorme, massudo e duro que nem o cão e sentamos para esperar.
Outra coisa é o clima: de dia o sol vai aparecendo e fazendo um calor senegalês. À noitinha a temperatura cai absurdamente! Então, por volta de meio dia eu fui tentar achar algo para comer.
Não aguentei andar muito por causa do calor. Mas achei uma feirinha enorme e paupérrima onde se vendia de tudo: peruca usada, roupas, souvenirs, pentes sem dente, rádios antigos.
E umas mil barraquinhas que vendem "pollo asado". Que é, basicamente, o seguinte: um panela gigante (tipo as de pastel das nossas feiras de rua), cheias de óleo fervendo da cor de uma Coca-cola, cheio de franguinhos inteiros (exceto pés e cabeça) e desnutridos boiando lá dentro. Aí a pessoa escolhe qual que vai querer e a tiazinha boliviana vai lá e pega o "pollito" - com seus próprios dedinhos!!! -, dá aquela sacudida para tirar o excesso de óleo (ahhh, agora sim!) e bota num guardanapo para o cliente.
Por motivos óbvios, eu dispensei. E não comi "pollo asado" em toda a viagem (tudo bem que nem todos eram assim... mas a imagem não saiu da minha cabeça...
Achei um lugar lá que vendia queijo fatiado, lacrado (Artigo de luxo!!! Podre de chique, eu! ) e comprei. Se ia estragar ou não, com aquele calor, nem entrei nesse detalhe. Primeiro, porque a quantidade de coliformes fecais nele certamente seria infinitamete inferior que comer o pollito". E que, no deserto boliviano, comer pão com uma fatia de queijo e água é manjar dos deuses (manteiga? hã? Quer manteiga vai procurar, fio!).
15:00, pegamos o trem!

Chegando ao ponto tenso da viagem... 



