sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tour no Deserto: Árbol de Piedra

Necessário explicar?

A segunda parada do passeio é em um conjunto de formações rochosas enormes, todas resultados naturais do processo de erosão causados pelos ventos. Só que, diferentemente de Salta, são enormes pedras menores em tamanho e isoladas uma das outras deserto afora, o que faz com que os formatos que elas adquirem assumam formas interessantes, como é o caso da Árbol de Piedra ( árvore de pedra) acima, a mais famosa - uma rocha única, gigante, totalmente erodida na parte inferior e sustentada por um pedacinho só de pedra!
Confesso que dá um certo nervoso ficar embaixo dela para tirar foto... A bicha é grande...
E em volta dela tem outras formações independentes e interessantes. Lembram um pouco aquelas pedras das paisagens de desenhos como Coyote e Papaléguas...
Venta muito, e óculos escuros são definitivamente necessários. Porque a areia do vento chega a incomodar o rosto.
E, assim como a Árbol de Piedra, tem várias outras formações rochosas onde um pedregulho enorme (e obviamente pesado) está sustentado através de uma área pequena, o que dá a impressão de que vai cair a qualquer momento - o que dá a oportunidade de fazer algumas brincadeiras nas fotos...
E, apesar da imagem inóspita que oferece, o deserto tem uma fauna razoavelmente rica... Além das vicuñas, flamingos e raposas, ainda conhecemos o tal bichinho abaixo, que é igual a um coelho com um rabo comprido tipo um esquilo...
Vale lembrar que não teve nenhum dia em que não vimos uma quantidade razoável desses animais...

domingo, 25 de outubro de 2009

Tour no Deserto: O primeiro lago

Então... essa foi o primeiro lago que conhecemos... Onde paramos para almoçar.


A paisagem é alucinante... Uma lagoa gigantesca e colorida, cheia de flamingos, com diversas montanhas nevadas ao redor...

Nosso carro parou alguns metros antes da lagoa, para o tiozinho preparar o almoço (que, em tempo, foi exatamente igual ao de ontem: arroz, pollo asado, salada e coca cola quente).

Enquanto ele preparava, nós tentávamos registrar as paisagens... Não cabia tudo numa foto... Impossível dizer o que era aquele lugar!



É bem verdade que o preparo da comida acabou atraindo mais colegas...



Esse bichinho fofo é uma espécie de raposa do deserto. Mansa, assustada, só fica rondando esperando sobrar alguma coisa para ela... Meio arredia para um bate papo...


Uma observação sobre a foto acima... Dá para ver algumas coisas brancas espalhadas pelo chão? Então, são restos de lixo deixados por outros trucks semelhantes ao nosso... Tava cheio disso lá... E dá uma pena, porque o pessoal não tem a menor noção de preservação de um santuário desses! Então, sério, recolham o lixo de vocês... Dava pena ver essa raposinha mexendo nos sacos plásticos que nem vira-lata.


Depois do almoço, um breve descanso... E pé na estrada de novo...

Tour no Deserto: Deserto, neve e sal

Acordamos cedinho, tomamos café da manhã (pão, queijo, leite puro ou com chocolate, manteiga e geléia - fartura feliz) e em torno das 8 da manhã já estávamos na estrada de novo.
O segundo dia é muito chão percorrido, mas onde é possível ver os vulcões dos altiplanos bolivianos (a maioria inativos), as lagoas coloridas e as pedras esculpidas pelo vento, entre elas a famosa Árbol de Piedra.
Ainda te, inclusive, uma área de salar, bem menor que o de Uyuni, mas também bonito o suficiente para fazer fotos bacanas... Como a minha e a de Rochane abaixo, fazendo graça numa linha férrea desativada...
Mas interessante é ver, perto dos salares, também os vulcões, todos com seus topos nevados (isso porque estamos ainda no verão, pois no inverno a neve praticamente cobre toda a montanha). E isso num deserto...
Ah, de vez em quando a gente vê passar um ônibus no meio do deserto também... Só para quebrar a monotonia...

Ah, vale lembrar que esse é o trecho mais alto do passeio... estamos a quase 4000 metros... A dor de cabeça fica insuportável, e chega quase a estragar o passeio. Haja Soroche Pills.
Metade do dia chegamos à primeira das lagoas coloridas, para um rápido pit-stop para o almoço.

Tour no Deserto: Algumas observações estéticas


Sobre os cabelos (principalmente para mulheres):

Baby, você está num deserto, e vale lembrar que aí já fazem dois dias que você não lava os cabelos porque a quantidade de água nos chuveiros sequer dá vazão para você tirar toda a areia do seu corpo. E para evitar que a água acabe quando você estiver no meio do processo, deixando seu cabelo outrora sedoso em uma massa disforme, você resolve lançar mão da amiga escova e tentar resolver do jeíto que dá...

Só que em San Juan del Rosario, a despeito de também ter pouca água, você também não vai lavar o cabelo (especialmente se ele for comprido). O que significa que ao final do terceiro dia, se você prender o cabelo muito provavelmente ele vai ficar na mesma posição por vários dias, de tão duro. Então, sugestões:
- Para quem usa leave-in, é uma... sim, ele vai ficar meio oleoso, mas pelo menos é um paliativo para não deixar a piaçava das vassouras morrendo de inveja das pontas do seu cabelo;
- Escova e pente, sempre e várias vezes ao dia... Ajudar a tirar a poeira;
- Boné, chapéu e echarpe para amarrar e proteger os cabelos;
- Muita fé e muita prece, porque a piaçava é passageira mas as fotos são para sempre. E daqui a pouco acaba. Imagine-se daqui a um mês mostrando as fotos para os seus amigos, linda, com os cabelos hidratadíssimos, brilhantes e cheirosos depois de uma sessão de SOS no salão, e dizendo: "Eu, ressacada no deserto? Menina, nem percebi!".



Sobre a pele:

A essa altura você já vai sentir os efeitos do deserto sobretudo no seu rosto. Lábios ressecadíssimos são os primeiros a dar sinal, a marca dos óculos escuros no rosto (se você não passou protetor). E, principalmente, se você passar a unha na pele da sua perna - e não interessa se ela estava coberta pela calça comprida - só vai ficar aquela linha branca. Então, por isso, lance mão dos hidratantes (corpo e rosto), além do protetor solar.

Ah, importante. Lembram daquelas toalhinhas baby wipes, que falei lá no início da viagem? Elas são ótimas quebra-galhos neste momento em que você saiu do banho no meio do deserto (porque a areia é muita e a água pouca, o que faz com que você continue com a sensação de que não está totalmente limpo). Então é legal passar essas toalhinhas pelo corpo antes do banho, pelo menos para tirar o excesso de areia. Mas sejam limpinhos e tomem banho, tá, porque só a toalhinha ninguém merece! No nosso carro, uma das inglesas ficou os três dias sem tomar banho nem sequer trocar a roupa. Não dava nem para conversar com ela.

Outra dica... Para os que levaram Rinosoro ou algum remédio para o nariz. É ótimo, porque a narina fica bem irritada e seca, e pode sangrar.

Tour no Desertto - 1o. pernoite


O primeiro pernoite do passeio é feito em uma cidadezinha bem pequena, praticamemente uma vila, no meio do deserto. A chegada é em torno de umas cinco horas da tarde, bem na hora do pôr-do-sol (que, diga-se de passagem, é espetacular).

A cidadezinha é minúscula. São simplesmente algumas fileiras de casinhas de tijolos bem simples, todas da mesma cor, com as portas e janelas viradas para a parte de dentro das ruas e da cidade (então, ao andar nas ruas, você passa por uma série de casinhas sem nenhuma porta ou janela - parece uma cidade fantasma!). Dá para ter uma noção pela foto abaixo, quando resolvemos "dar um rolé" para ver o pôr-do-sol.


O motivo dessa disposição é proteger a entrada das casas do vento e da poeira do deserto. Haja vista que todas as casas são absolutamente da mesma cor... Cor de poeira...

Mas faça-se justiça. Fomos bem recebidos nas "pousadas", que são nada mais que as casas dos próprios moradores que construíram quartos separados e banheiros para receber os viajantes. E se você sobe em uma janelinha da "pousada" é possível ver vários trucks idênticos aos seus chegando sozinhos de pontos diferentes do deserto e sendo cuidadosamente recolhidos pelas casinhas.

O serviço é bem simples, mas com o conforto suficiente para mostrar que o lugar é uma espécie de oásis do deserto. Camas e quartos separados, roupa de cama. Os banheiros ficavam do lado de fora (na foto abaixo, dá para ver uma portinha de um cômodo separado, com uma mini-chaminé). Água é de poço e luz é de gerador, mas devem ser usados com parcimônia e tem horário para tomar banho.

Ah importante! Nosso banheiro tinha água quente para o banho! E lembro que isso é muito importante, porque já era noitinha, e a temperatura do deserto cai para uns agradáveis 10 graus...


Eu e Rochane tentamos dar uma voltinha na cidade para conhecer, o que se resumiu a seguir uma rua e voltar, tudo isso dentro do tempo em que ainda tinha sol.
Ah, o pôr do sol... Merece um comentário! Não deixem de curtir esse momento, sério! Como o deserto é muito seco e quase não tem umidade, as cores do crepúsculo assumem uma tonalidade mais intensa, um degradê de cores mais forte... O céu todo fica rosa... Lindo!
Mas como não existe nenhum tipo de poste iluminando as ruas da cidade e as janelas das casas são todas para dentro, quando acabou o sol ficamos num breu total. Aí honestamente rolou um "medinho" e a gente correu para a "pousada".
A refeição é servida em torno das 20 horas e é farta para todos: arroz, sopa de legumes, salada, frango e carne. E, sempre, aparecem uns garotos da cidade que se propõem a cantar músicas locais para os turistas enquanto comem, em troca de alguns trocados. Obviamente ninguém te pergunta se você está a fim dessa imersão cultural, mas é amigável se todos realmente derem alguns bolivianos para eles - até porque eles vivem disso...
Bom, eles desligam a luz às 21 horas e você não escuta absolutamente nenhum som em toda a cidade além disso. Então a opção é dormir cedo mesmo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tour no Deserto: A estrada

Depois dessa parada, pegamos a estrada... Muita estrada...
São várias horas rodando numa paisagem assim... Que não muda...
Linda, mas confesso que se fosse eu a motorista, eu começaria a pirar... Porque parecem aqueles sonhos que vc anda, anda, anda e nada muda...

Mas ainda assim, tem trechos de estrada lindíssimos... Para puro deleite meu, que sou apaixonada por caminhos...

Depois pegamos o deserto, propriamente dito, num trecho horroroso de estrada de terra, mas cheio da vicuñas...


... plantações de quinoa (sim, essas que vendem no mundo verde)...

...e um pôr do sol simplesmente lindo!


E por fim, chegamos enfim numa cidadezinha (inha inha inha) chamada San Juan Del Rosario, onde passaríamos a primeira noite.

Tour no Deserto: Isla del Pescado

Mais ou menos uma hora de viagem depois do hotel de sal, chegamos na Isla del Pescado (ou "ilha do peixe", devido à semelhança da sua forma com o bicho.

É, efetivamente uma ilha de verdade, só que antes era em um lago... E hoje, é no meio do sal!
Geralmente as excursões param ali para fazer o almoço. Os turistas saltam e pagam a taxa de visita da ilha, no valor de 1 dólar, e vão conhecê-la, enquanto o motorista prepara a comida.
A ilha é relativamente pequena e praticamente toda formada por pedras e cactos, com várias trilhas para se ir subindo e admirando a paisagem (que é, cada vez mais, branca, branca, branca), e que, ao contrário de te cansar a vista, ainda tem uma beleza te rouba o folêgo...


Rouba o fôlego literalmente, aliás... Estamos aqui a uns bons 3.660 metros de altitude, então fazer a tal subidinha das trilhas que te levam ao topo da ilha, e que você jura que vai tirar de letra porque não é tão íngreme assim, te obriga a parar várias vezes para respirar...

É também neste momento do primeiro dia que você percebe que, além dos problemas de altitude, um deserto é tudo aquilo que se espera de um deserto: são mais ou menos meio dia, o sol está à pino, escaldante, saariano, e incide impiedosamente a noventa graus sobre você, e a ilha só tem cactos, que é o tipo da planta que nem se comove de te oferecer uma réstia sequer de sombra para proteger a cabeça.


Sim, é debaixo desse sol e desse calor que você vai almoçar!

O almoço o motorista prepara num forno a gás portátil, e tem arroz, frango assado (o madito "pollito asado" deles) e outras coisas que honestamente nem lembro, porque não comi... O detalhe vai para a coca-cola, que é servida na temperatura ambiente (40 graus??), porque, obviamente, no deserto não tem gelo. Então, caso você não queira bebê-la nestas condições, você pode usá-la como solvente para tirar a corrosão do seu jipe. Funciona que é uma beleza!

Este é o grupo do meu carro. Da esquerda para a direita: as duas meninas inglesas, o irlandês, Rochane e as duas argentinas. Todos almoçando sentados na pedra, curtindo uma refeição e uma experiência que não tem nada de luxo - mas cuja vista é inesquecível!


PS: Preciso dividir com vocês que nem tudo é uma maravilha...

Lá no hotel de sal tinha uma barraquinha vendendo salgadinhos, e eu comprei um pacote de batata frita, porque tava morrendo de fome. E, como o pacote vinha embalado e lacrado bonitinho, achei que não tivesse problema. Mas chegando na isla del Pescado eu comecei a passar tão mal que vomitei simplesmente o pacote todo. E, deste dia em diante, simplesmente não comi mais nada - nem o tal almoço, nem a janta - exceto por uns nacos de pão duro (e puro!) que eu havia comprado em Villazón. E, as poucas vezes que comi algo que não fosse pão, eu vomitava tudo!

Com base nisso, já adianto para vocês o meu saldo dos três dias no deserto: emagreci horrores. Um verdadeiro spa!

Ah, e lembram das descrições sobre como funcionam as privadas bolivianas? Então, não sofri muito com esses perrengues - simplesmente porque não tinha comida que fizesse esse caminho todo!

Ah, dor de cabeça também. Muita. Lancinante. Intermitente.

E a razão de tudo é: altitude. Então, realmente eu sugiro que quem quiser fazer o mesmo passeio e não tenha nenhuma ambição de emagrecer nem se incomode que a cabeça fique latejando loucamente, que dê um jeito de comprar as tais pílulas Soroche Pills. Eu não tinha nenhuma até então. E, como pude comprovar depois, elas salvam vidas!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tour no Deserto: Hotel de Sal

Lembram do que eu falei há alguns posts atrás sobre o status quase-divino do Evo Morales? Então, detalhe para o "saguão" da recepção do hotel de sal, nossa parada seguinte!

Antigamente funcionava para hospedagem, mas hoje está desativado, sendo apenas um ponto turístico mesmo. A razão é que o turismo estava denegrindo o lugar (verdade, a julgarmos pela nossa experiência brasileira em santuários turísticos que estão sendo depredados).

Mas enfim... O hotel é completamente feito de sal. Tijolos, móveis, esculturas...

Bacana, mas rápido de se ver... Logo, seguimos viagem...

Tour no Deserto: Salar de Uyuni

Para quem tava me achando uma louca de ter passado todos esses perrengues bolivianos até agora... eis a razão...

Indiscutivelmente um dos lugares mais surpreendentes que já vi. E um dos mais bonitos também.

O Salar de Uyuni é uma gigantesca planície salgada, a maior do mundo (em torno de 12 mil km quadrados de área). Era, na verdade, um grande lago pré-histórico de água salgada (lago maior que o Titicaca, também na Bolívia e que mede em torno de 8.000 km quadrados... Já é bastante coisa!). O lago secou, deixando um deserto de 10 bilhões de toneladas de sal, numa profundidade de até 120 metros.

O resultado é esta paisagem... Se não fosse a camiseta, diria que se está na Antartida...


A superfície é tão branca que você tem que usar óculos escuros, senão a vista dói. Tanto é que li numa revista de ciências que é possível ver essa claridade do espaço, e que a maioria dos satélites de imagens de alta precisão usam esse"espelho" natural na Terra para focar e ajustar automaticamente suas lentes e fotômetros.

Esses montinhos de sal os moradores que fazem, que é para deixar o sal secar e depois separá-lo para exportação.


Janeiro é a época das chuvas lá, o que não chega a chover muito, mas o suficiente para deixar uma fina camada de água sobre o sal. Como fomos em março, ainda deu para pegar um pouco....
Com a água e sal, o lugar é um verdadeiro espelho. Nas fotos, mesmo fora da época de cheia, já dá para ver o reflexo direitinho, mas ao vivo o efeito é muito maior.

Por exemplo... Essa foto abaixo fui eu que tirei, (e é a mesma que ilustra o cabeçalho desse humilde blog). Já dá para ver o reflexo. E isso fora da chamada "alta temporada".


Agora vejam essa, que tirei do Google, e foi tirada durante o mês das chuvas lá... Espelho absoluto, e, antes que falem, pelo que vi do lugar, não creio que foi montagem...



Honestamente não tiramos muitas fotos quanto gostaríamos, primeiro porque ainda tinha uma viagem inteira pela frente e não sabíamos o quanto a bateria da máquina ia aguentar (já que desertos não tem tomadas) e também porque certas coisas possuem uma beleza que não cabe numa foto... Nem em palavras... Por essa razão este post é menor em comparação aos das descrições dos "perrengues". Mas foi o que fez tudo ter valido a pena.