terça-feira, 6 de abril de 2010

Mudança de blog!!!



Pessoal, depois de tanta demora, finalmente a nova versão do blog Dondeando por aí está pronta! Melhor, mais profissa, com mais fotos, e, futuramente, com um espaço para vocês comentarem e mandarem também as aventuras de vocês mundo afora!

Para conhecer a nova versão, clique aqui!!!

Só que, infelizmente, nao é possível redirecioná-los automaticamente! Por favor, adicionem o site http://www.dondeandoporai.com.br/ aos seus favoritos e façam uma humilde viajante feliz por saber que suas histórias de viagem estão sendo lidas e que seus perrengues não foram em vão!

Obrigada e um abraço!

Clarissa Donda!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Albergue (o estabelecimento, não o filme)


Pausa para o hostel de Arica, que merece um post especial...

Chama-se Doña Inês, e é o único filiado ao HI Hostelling International na cidade. Fica um pouco longe do centro da cidade, de modo que tem que pegar um ônibus para passear por lá...

Mas apesar do nome tão cândido, a atração verdadeira dele - e porque não dizer, de toda a Arica - é o dono, Roberto, um cara que, na mais franca e singela humildade descritiva, é um verdadeiro "fucking crazy" doido insano depravado sequelado desprovido de qualquer sanidade mental - e por isso mesmo, é a celebridade do local!



Em tempo... isso na mão dele é Pisco Sauer... Puro... E, pela cara da criança, devia ser pelo menos o quinto da noite...

Fama que a gente percebe de cara ao entrar: todas as paredes (eu disse, todas! Todas! Entenderam "todas"?) do albergue possui pixações com frases e mensagens dos viajantes que passaram por lá. Do tipo de ficar difícil arrumar espaço para deixar a sua mensagem!

Detalhe para o mural "cute" das tarifas do albergue:


E todas quintas ele oferece um churrasco à noite, regado à muito pisco. Em épocas em que o hostel fica cheio, é evento quase toda noite. As paredes são cheias de fotos da galera enlouquecida nestas festas.

Não sou uma frequentadora dessas festas de arromba de altíssimo teor alcóolico, mas lá não tem escapatória. Eles (o Roberto e a namorada, uma brasileira que mora lá com ele) fazem questão de recepcionar os hóspedes com festa, e com uma empolgação que não dá para recusar. Nós, inclusive, fomos formalmente apresentadas ao pisco. Mas isso é história para daqui a pouco...

Ah, e outra coisa: eles tem um contato com um cara gente finíssima que organiza saltos de parapente no mirante de Arica. O passeio é imperdível, maravilhoso (e barato!). É só pedir que o Roberto agenda tudo!

Fugazes e marcantes lembranças do ônibus para Arica...

1. A viagem de ônibus é de San Pedro até Calama, e de lá a gente troca de ônibus (me senti numa conexão de aeroporto) para pegar mais 9 horas até Arica;

2. Conhecemos 3 brasileiros que estavam viajando com a gente, os primeiros brasileiros que encontramos até então. Os 3 eram de Floripa. Não sei o nome de nenhum, mas um deles era igualzinho ao Beavis;




3. A população de cães de rua deve ser maior que a de pessoas no Chile;

4. O ônibus tinha ar-condicionado (Obrigada, Senhor!);

5. O ônibus oferecia lanche, travesseiro e cobertor (chique só, eu!);

6. O ônibus não tinha banheiro (humpf!);

Dicas sobre o Chile (e alguns desabafos também!)

Antes de prosseguir, vamos a algumas dicas "chicas" de viagem:


Companhias de ônibus: Os ônibus de viagem chilenos são infinitamente melhores do que os argentinos e peruanos (os bolivianos, então, dispensam comentários, né). A melhor delas é a Turbus, cujo site mostra todas as rotas disponíveis, horários e preços, o que facilita muito a nossa vida na hora de fazer o planejamento da viagem. Tem muitas viagens noturnas (bom para economizar tempo), os ônibus são confortáveis e eles ainda oferecem um lanchinho (não que seja grande coisa, mas considerando os últimos relatos nesse blog sobre viagens de ônibus, a gente passa a rever os nossos paradigmas com muito mais humildade!).


Estadias: O HI Hostel, sempre. Embora achar hotéis não é muito difícil. Boas referências para encontrar hotéis próximos e dicas em geral são o GoGhile e o nosso velho e bom Decolar.com


Dicas de Passeios em Geral: Os mesmos citados... Mochileiros é o meu favorito, mesmo que você não seja um. O que vale são as opiniões de várias pessoas que estiveram nas cidades, que contam suas dicas e roubadas, na maioria das vezes bastante atualizadas. Além, é claro, dos Blogs de viagens famosinhos que existem por aí (e que eu humildemente espero chegar um dia lá... Haja dinheiro para viajar!).


Mas olha, vou confessar a vocês... A razão deste post é que tenho andado pensando no conteúdo das minhas abobrinhas escritas nesse blog e sei que fico devendo muito em relação a dicas mais consistentes e fotos próprias de viagem. Pendência que prometo corrigir em breve, juro, à medida que estou buscando "amadurecer" este blog e, porque não, amadurecer euzinha mesma com ele.


A questão é que a idéia de narrar estes relatos "dondeandísticos" de viagem surgiu recentemente, devido a um recesso obrigatório de toda e qualquer atividade da minha vida por razões médicas. Aí, para cobrir a lacuna de tempo e ócio que me restavam e arrumar uma atividade para os meus neurônios manterem a sanidade, criei o Dondeando por Aí para relatar as viagens e perrengues meus de viagens passadas.


Ou seja, minha matéria-prima era minhas fotos e lembranças apenas, adquiridas mais segundo os olhos de uma turista do que uma jornalista (eis aí a razão de termos mais posts sobre cabelos e privadas no deserto do que dicas propriamente relevantes de ônibus e hotéis - embora eu realmente acredito que a falta de descargas nas privadas bolivianas seja de uma relevância que deve ser amplamente divulgada).
Por isso, prometo que vou tentar suprir essa lacuna de informações de ordem prática na medida em que minhas anotações antigas e minha memória ajudarem. E prometo que vou me atentar mais para elas na próxima viagem, para descrevê-las com exatidão para meus escassos, porém muito amados, leitores.
PS: Isso é só a minha consciência de jornalista gritando, tá? Porque o que eu gosto mesmo é de descrever detalhadamente as doidices que me saltam aos olhos nos lugares que eu vou. Adoro descrever minuciosamente a cor negro-petróleo do óleo onde as tiazinhas bolivianas cozinham os "pollitos asados" antes de te oferecer. Acho o máximo reparar que o irlandês que viajou com a gente pegou a coca-cola e colocou para "gelar" ao relento à noite (5 graus) para estar ao menos fresquinha quando fossemos tomar de dia (a agradáveis 45 graus). Doidera contar que em três dias de deserto descobri que o melhor sistema de logística do mundo não é a da Coca Cola, e sim a do Twix, aquele chocolate, porque volta e meia, no meio do nada do deserto boliviano, surgia entre as pedras um camelô com um tiozinho vendendo Twix. Falta água, mas o chocolatinho tava lá, firme e forte (tudo bem, não tão firme, era mais uma meleca grudenta e derretida... mas tava).
Aí, depois disso, tinha como ficar me preocupando em ver opções de hotel para sugerir aqui? Para isso tem o Google!

domingo, 27 de dezembro de 2009

San Pedro de Atacama



Bom... Após séculos e muitas reclamações dos meus 3 únicos leitores, retomo a narrativa das aventuras de Clarissa "dondeandando por aí"! Shame on me, galera, eu sei...

Vamos lá... Nossa tão esperada chegada em San Pedro de Atacama!!! Mas minha ética jornalística me impede de pintar a cidade com todas as cores que a gente sempre imagina ao ler os catálogos de turismo fofos (e os preços) mencionando a cidade... Até porque, a cidade é, basicamente, essa foto aí de cima... Totalmente marrom...

San Pedro de Atacama é, principalmente, um oásis no meio do deserto, um ponto de apoio com hotéis, restaurantes, lojas de souvenirs e muitas agências de turismo para levar os turistas a passeios pelas redondezas (veja o mapa):



É de lá que saem as excursões para o Salar do Atacama, os Geyseres del Tatio, excursões de alpinismo para o Licancabur (vulcão que vimos há alguns posts atrás) e outras maravilhas do deserto, incluindo-se aí uma excursão num 4X4 igualzinho a que fiz, só que no sentido inverso: San Pedro - Uyuni.

É uma cidade turística e, portanto cara. Bem cara. Não só pelo turismo, mas por ter que sustentar uma estrutura bem naquela meiuca do deserto. Água é cara. Internet também. Vôos idem. Não vale a pena colocar valores atualizados aqui, porque isso muda o tempo todo, mas lembro que as pesquisas de vôos que eu havia feito saindo de Santiago e indo até San Pedro eram caríssimos ( tipo, o triplo de um vôo Santiago - Patagonia chilena, por exemplo), o que fez com que a alternativa "perrengue de truck via Bolívia" saísse mais em conta financeiramente (além, é claro, dos bônus das fotos e visitas da viagem, que isso Mastercard não paga. Nem as histórias, que rendem depois ótimas conversas no bar e até, eventualmente, um blog).

Para os mochileiros que perguntarem: ônibus de Santiago até lá também não recomendo. Muito tempo na estrada, muita volta, muita montanha... Vale a pena só se incluir aí um bom roteiro no caminho e tempo para curtir.

Mas, como disse, San Pedro de Atacama é um óasis no deserto - especialmente se você, como nós, realmente estiver vindo de um, por 3 dias, sem tomar banho, com o cabelo tão macio quanto o de uma espiga de milho recém colhida, com areia em lugares inimagináveis, desconhecendo o significado das palavras "ar condicionado", "bife", "privada com descarga" e "coca-cola com gelo" (aliás, qualquer coisa com gelo).

A verdade é que, nossa primeira imagem de puro deleite foi a estrada para a aduana de San Pedro (a despeito da recomendação pró-drogas do guia boliviano que nos levava). Era a primeira vez em 4 dias que víamos asfalto. Como era liso, então, foi quase um êxtase.



O interessante é que a viagem, de uma hora, é simplesmente uma grande descida. Saímos dos 4.600 metros de altitude para 2.400. Era uma delícia! Nitidamente nós sentíamos a cabeça parar de latejar, começávamos a respirar melhor e o ouvido ficava estalando, como que "desentupindo" por causa da pressão. Chegamos na aduana como novas.

Primeira ação: guardar as mochilas, trocar dinheiro e procurar um restaurante com banheiro (tem uns bastante simpáticos por lá, com comidas universais como pizza, hamburguer e sorvete). Não tinha chuveiro, mas pudemos lavar o rosto com água corrente (maravilha!), fazer uso das mínimas instalações de saneamento básico (bendita civilização!) e pedir, luxo dos luxos, um X-tudo completo (pão, hambúrguer, queijo, salada e um ovo estalado lindamente em cima), acompanhado de batatas fritas e um refrigerante COM VÁÁÁÁÁRIAS PEDRAS DE GELO!!!!

Justiça seja feita: a cidade não tem quase nada. Mas amei ter chegado lá.

Refeição feita e dignidade reavida, fomos ver o que San Pedro tinha a oferecer. Basicamente, a cidade é bem pequena: ruazinhas como as da foto abaixo e a que usei para iniciar este post.


San Pedro oferece bastante opções de passeios próximo dali, como a visita ao Salar de Atacama...


... que é bem menor em dimensões do que o de Uyuni, mas igualmente bonito, especialmente porque conta com a visão do Licancabur no horizonte, como na foto.

Tem também os Geyseres del tatio...


... e passeios para o lado de cá da Bolívia, para visitar a Árbol de Piedra e as Lagunas Coloradas e Esmeralda.

Todos passeios que valem a pena e recomendo, mas como já tínhamos visto de tudo e estávamos super legais de deserto, e a cidade em si não tem muito mais a oferecer do que isto, optamos por comprar uma passagem de ônibus no mesmo dia à noite para Arica, fronteira do Chile com o Peru.

Foi um bom negócio, pois não gastamos hospedagem em San Pedro (era caro), visitamos a cidade o suficiente para marcá-la em nosso "checklist" de lugares para conhecer, deu um tempo para comermos bem (com ênfase no "bem"), acessar a internet e ver e-mails, dar uma voltinha e tirar ainda uma foto na Igreja de San Pedro, símbolo da cidade.


Só não deu para tomar banho... de novo... Mais um dia catinguentas... Argh!
Em tempo: Como o ônibus só saiu à noite, deu tempo de fazer algo que é imperdível para qualquer um que visitar San Pedro: assistir o pôr-do-sol.
Como é uma das regiões mais secas do planeta, o céu não tem nenhuma umidade, então as cores do sol adquirem nuances muito mais vívidas.


É tipo isso... A foto não é minha, como a maioria das que estão neste post. As únicas que são de minha autoria é a da estrada para San Pedro e a de nós duas na igreja. A razão é a mesma dos posts anteriores: poupar a bateria da minha câmera que estava exauridíssima depois de 3 dias sem recarregar, viajando bravamente num deserto sem tomadas.
A maioria das fotos é do site San Pedro de Atacama.com, e que recomendo inclusive como fonte para dicas. Além, é claro, do Mochileiros.com, amigo fiel e irmão camarada dos meus roteiros doidos por aí...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aduana Boliviana: Saindo do país


Em tempo: essa foto também foi tirada do Google... Porque a bateria estava nas últimas...

Na verdade, a razão deste post não é nem para explicar como foi a saída do país, e sim para contar um dos pontos altos da nossa viagem, no segmento "comédia"!!!

Então, só para fazer constar a parte útil: a aduana boliviana é uma casinha no meio do deserto, onde os 4X4 de passeios semelhantes aos que fizemos deixam lá os turistas que vão seguir para o Chile. Então, é preciso entrar na fila, ser atendido por um guarda boliviano com cara de índio e mal humorado, pagar uma taxa de saída do país, carimbar a saída no passaporte e aí entrar em um microônibus que levará todos os turistas dali para a aduana em San Pedro.

E agora sim, a melhor parte - e a melhor frase da viagem:

Já estávamos dentro do microônibus, cheio de gente, pronto para ir para o Chile, quando entra o motorista uniformizado da companhia para dar as explicações gerais (do tipo "San Pedro é uma cidade chilena, com não sei quantos habitantes, blábláblá...):

" Nossa viagem até San Pedro de Atacama durará 1 hora. Na aduana chilena é proibida a entrada de drogas como maconha, cocaínha, heroína, crack e todos os tipos de alucinógenos. Portanto, caso tenham algum destes itens com vocês, consumam tudo em uma hora".

Verdade, juro... E o cara falou sério...

Tour no Deserto: Laguna Verde


Como dizer? Basicamente, a laguna verde é isto aí... Nem tava muito verde no dia... Mas parece um espelho. E é linda... E wordless...

Depois do mergulho, tomamos um café rápido (pão com "epa" e Coca Cola na temperatura ambiente - nossa sorte é que estava frio ainda!) e fizemos nossa última parada em território boliviano. Graças a Deus, e nada contra o país, mas é que estávamos doidas por um banho e um copo de coca bem gelada (o refrigerante, não o chá)...

Essa montanha enorme da foto é o vulcão Licancabur, que está na divisa com o Chile (70 km de distância de San Pedro). Enorme (o pico chega a 5900 metros, e pode ser alcançado através de agências de alpinismo contratadas em San Pedro) e ainda com alguns resquícios de neve no topo. No inverno, de acordo com nosso tiozinho-guia, a neve cobre ele todo.


Bom, só para dizer que a foto é minha (essa e a de cima) e que eu estava lá... Parece montagem, mas não é...




Bom, é isso... Próxima parada: aduana da Bolívia, finalmente!