segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Albergue (o estabelecimento, não o filme)


Pausa para o hostel de Arica, que merece um post especial...

Chama-se Doña Inês, e é o único filiado ao HI Hostelling International na cidade. Fica um pouco longe do centro da cidade, de modo que tem que pegar um ônibus para passear por lá...

Mas apesar do nome tão cândido, a atração verdadeira dele - e porque não dizer, de toda a Arica - é o dono, Roberto, um cara que, na mais franca e singela humildade descritiva, é um verdadeiro "fucking crazy" doido insano depravado sequelado desprovido de qualquer sanidade mental - e por isso mesmo, é a celebridade do local!



Em tempo... isso na mão dele é Pisco Sauer... Puro... E, pela cara da criança, devia ser pelo menos o quinto da noite...

Fama que a gente percebe de cara ao entrar: todas as paredes (eu disse, todas! Todas! Entenderam "todas"?) do albergue possui pixações com frases e mensagens dos viajantes que passaram por lá. Do tipo de ficar difícil arrumar espaço para deixar a sua mensagem!

Detalhe para o mural "cute" das tarifas do albergue:


E todas quintas ele oferece um churrasco à noite, regado à muito pisco. Em épocas em que o hostel fica cheio, é evento quase toda noite. As paredes são cheias de fotos da galera enlouquecida nestas festas.

Não sou uma frequentadora dessas festas de arromba de altíssimo teor alcóolico, mas lá não tem escapatória. Eles (o Roberto e a namorada, uma brasileira que mora lá com ele) fazem questão de recepcionar os hóspedes com festa, e com uma empolgação que não dá para recusar. Nós, inclusive, fomos formalmente apresentadas ao pisco. Mas isso é história para daqui a pouco...

Ah, e outra coisa: eles tem um contato com um cara gente finíssima que organiza saltos de parapente no mirante de Arica. O passeio é imperdível, maravilhoso (e barato!). É só pedir que o Roberto agenda tudo!

Fugazes e marcantes lembranças do ônibus para Arica...

1. A viagem de ônibus é de San Pedro até Calama, e de lá a gente troca de ônibus (me senti numa conexão de aeroporto) para pegar mais 9 horas até Arica;

2. Conhecemos 3 brasileiros que estavam viajando com a gente, os primeiros brasileiros que encontramos até então. Os 3 eram de Floripa. Não sei o nome de nenhum, mas um deles era igualzinho ao Beavis;




3. A população de cães de rua deve ser maior que a de pessoas no Chile;

4. O ônibus tinha ar-condicionado (Obrigada, Senhor!);

5. O ônibus oferecia lanche, travesseiro e cobertor (chique só, eu!);

6. O ônibus não tinha banheiro (humpf!);

Dicas sobre o Chile (e alguns desabafos também!)

Antes de prosseguir, vamos a algumas dicas "chicas" de viagem:


Companhias de ônibus: Os ônibus de viagem chilenos são infinitamente melhores do que os argentinos e peruanos (os bolivianos, então, dispensam comentários, né). A melhor delas é a Turbus, cujo site mostra todas as rotas disponíveis, horários e preços, o que facilita muito a nossa vida na hora de fazer o planejamento da viagem. Tem muitas viagens noturnas (bom para economizar tempo), os ônibus são confortáveis e eles ainda oferecem um lanchinho (não que seja grande coisa, mas considerando os últimos relatos nesse blog sobre viagens de ônibus, a gente passa a rever os nossos paradigmas com muito mais humildade!).


Estadias: O HI Hostel, sempre. Embora achar hotéis não é muito difícil. Boas referências para encontrar hotéis próximos e dicas em geral são o GoGhile e o nosso velho e bom Decolar.com


Dicas de Passeios em Geral: Os mesmos citados... Mochileiros é o meu favorito, mesmo que você não seja um. O que vale são as opiniões de várias pessoas que estiveram nas cidades, que contam suas dicas e roubadas, na maioria das vezes bastante atualizadas. Além, é claro, dos Blogs de viagens famosinhos que existem por aí (e que eu humildemente espero chegar um dia lá... Haja dinheiro para viajar!).


Mas olha, vou confessar a vocês... A razão deste post é que tenho andado pensando no conteúdo das minhas abobrinhas escritas nesse blog e sei que fico devendo muito em relação a dicas mais consistentes e fotos próprias de viagem. Pendência que prometo corrigir em breve, juro, à medida que estou buscando "amadurecer" este blog e, porque não, amadurecer euzinha mesma com ele.


A questão é que a idéia de narrar estes relatos "dondeandísticos" de viagem surgiu recentemente, devido a um recesso obrigatório de toda e qualquer atividade da minha vida por razões médicas. Aí, para cobrir a lacuna de tempo e ócio que me restavam e arrumar uma atividade para os meus neurônios manterem a sanidade, criei o Dondeando por Aí para relatar as viagens e perrengues meus de viagens passadas.


Ou seja, minha matéria-prima era minhas fotos e lembranças apenas, adquiridas mais segundo os olhos de uma turista do que uma jornalista (eis aí a razão de termos mais posts sobre cabelos e privadas no deserto do que dicas propriamente relevantes de ônibus e hotéis - embora eu realmente acredito que a falta de descargas nas privadas bolivianas seja de uma relevância que deve ser amplamente divulgada).
Por isso, prometo que vou tentar suprir essa lacuna de informações de ordem prática na medida em que minhas anotações antigas e minha memória ajudarem. E prometo que vou me atentar mais para elas na próxima viagem, para descrevê-las com exatidão para meus escassos, porém muito amados, leitores.
PS: Isso é só a minha consciência de jornalista gritando, tá? Porque o que eu gosto mesmo é de descrever detalhadamente as doidices que me saltam aos olhos nos lugares que eu vou. Adoro descrever minuciosamente a cor negro-petróleo do óleo onde as tiazinhas bolivianas cozinham os "pollitos asados" antes de te oferecer. Acho o máximo reparar que o irlandês que viajou com a gente pegou a coca-cola e colocou para "gelar" ao relento à noite (5 graus) para estar ao menos fresquinha quando fossemos tomar de dia (a agradáveis 45 graus). Doidera contar que em três dias de deserto descobri que o melhor sistema de logística do mundo não é a da Coca Cola, e sim a do Twix, aquele chocolate, porque volta e meia, no meio do nada do deserto boliviano, surgia entre as pedras um camelô com um tiozinho vendendo Twix. Falta água, mas o chocolatinho tava lá, firme e forte (tudo bem, não tão firme, era mais uma meleca grudenta e derretida... mas tava).
Aí, depois disso, tinha como ficar me preocupando em ver opções de hotel para sugerir aqui? Para isso tem o Google!

domingo, 27 de dezembro de 2009

San Pedro de Atacama



Bom... Após séculos e muitas reclamações dos meus 3 únicos leitores, retomo a narrativa das aventuras de Clarissa "dondeandando por aí"! Shame on me, galera, eu sei...

Vamos lá... Nossa tão esperada chegada em San Pedro de Atacama!!! Mas minha ética jornalística me impede de pintar a cidade com todas as cores que a gente sempre imagina ao ler os catálogos de turismo fofos (e os preços) mencionando a cidade... Até porque, a cidade é, basicamente, essa foto aí de cima... Totalmente marrom...

San Pedro de Atacama é, principalmente, um oásis no meio do deserto, um ponto de apoio com hotéis, restaurantes, lojas de souvenirs e muitas agências de turismo para levar os turistas a passeios pelas redondezas (veja o mapa):



É de lá que saem as excursões para o Salar do Atacama, os Geyseres del Tatio, excursões de alpinismo para o Licancabur (vulcão que vimos há alguns posts atrás) e outras maravilhas do deserto, incluindo-se aí uma excursão num 4X4 igualzinho a que fiz, só que no sentido inverso: San Pedro - Uyuni.

É uma cidade turística e, portanto cara. Bem cara. Não só pelo turismo, mas por ter que sustentar uma estrutura bem naquela meiuca do deserto. Água é cara. Internet também. Vôos idem. Não vale a pena colocar valores atualizados aqui, porque isso muda o tempo todo, mas lembro que as pesquisas de vôos que eu havia feito saindo de Santiago e indo até San Pedro eram caríssimos ( tipo, o triplo de um vôo Santiago - Patagonia chilena, por exemplo), o que fez com que a alternativa "perrengue de truck via Bolívia" saísse mais em conta financeiramente (além, é claro, dos bônus das fotos e visitas da viagem, que isso Mastercard não paga. Nem as histórias, que rendem depois ótimas conversas no bar e até, eventualmente, um blog).

Para os mochileiros que perguntarem: ônibus de Santiago até lá também não recomendo. Muito tempo na estrada, muita volta, muita montanha... Vale a pena só se incluir aí um bom roteiro no caminho e tempo para curtir.

Mas, como disse, San Pedro de Atacama é um óasis no deserto - especialmente se você, como nós, realmente estiver vindo de um, por 3 dias, sem tomar banho, com o cabelo tão macio quanto o de uma espiga de milho recém colhida, com areia em lugares inimagináveis, desconhecendo o significado das palavras "ar condicionado", "bife", "privada com descarga" e "coca-cola com gelo" (aliás, qualquer coisa com gelo).

A verdade é que, nossa primeira imagem de puro deleite foi a estrada para a aduana de San Pedro (a despeito da recomendação pró-drogas do guia boliviano que nos levava). Era a primeira vez em 4 dias que víamos asfalto. Como era liso, então, foi quase um êxtase.



O interessante é que a viagem, de uma hora, é simplesmente uma grande descida. Saímos dos 4.600 metros de altitude para 2.400. Era uma delícia! Nitidamente nós sentíamos a cabeça parar de latejar, começávamos a respirar melhor e o ouvido ficava estalando, como que "desentupindo" por causa da pressão. Chegamos na aduana como novas.

Primeira ação: guardar as mochilas, trocar dinheiro e procurar um restaurante com banheiro (tem uns bastante simpáticos por lá, com comidas universais como pizza, hamburguer e sorvete). Não tinha chuveiro, mas pudemos lavar o rosto com água corrente (maravilha!), fazer uso das mínimas instalações de saneamento básico (bendita civilização!) e pedir, luxo dos luxos, um X-tudo completo (pão, hambúrguer, queijo, salada e um ovo estalado lindamente em cima), acompanhado de batatas fritas e um refrigerante COM VÁÁÁÁÁRIAS PEDRAS DE GELO!!!!

Justiça seja feita: a cidade não tem quase nada. Mas amei ter chegado lá.

Refeição feita e dignidade reavida, fomos ver o que San Pedro tinha a oferecer. Basicamente, a cidade é bem pequena: ruazinhas como as da foto abaixo e a que usei para iniciar este post.


San Pedro oferece bastante opções de passeios próximo dali, como a visita ao Salar de Atacama...


... que é bem menor em dimensões do que o de Uyuni, mas igualmente bonito, especialmente porque conta com a visão do Licancabur no horizonte, como na foto.

Tem também os Geyseres del tatio...


... e passeios para o lado de cá da Bolívia, para visitar a Árbol de Piedra e as Lagunas Coloradas e Esmeralda.

Todos passeios que valem a pena e recomendo, mas como já tínhamos visto de tudo e estávamos super legais de deserto, e a cidade em si não tem muito mais a oferecer do que isto, optamos por comprar uma passagem de ônibus no mesmo dia à noite para Arica, fronteira do Chile com o Peru.

Foi um bom negócio, pois não gastamos hospedagem em San Pedro (era caro), visitamos a cidade o suficiente para marcá-la em nosso "checklist" de lugares para conhecer, deu um tempo para comermos bem (com ênfase no "bem"), acessar a internet e ver e-mails, dar uma voltinha e tirar ainda uma foto na Igreja de San Pedro, símbolo da cidade.


Só não deu para tomar banho... de novo... Mais um dia catinguentas... Argh!
Em tempo: Como o ônibus só saiu à noite, deu tempo de fazer algo que é imperdível para qualquer um que visitar San Pedro: assistir o pôr-do-sol.
Como é uma das regiões mais secas do planeta, o céu não tem nenhuma umidade, então as cores do sol adquirem nuances muito mais vívidas.


É tipo isso... A foto não é minha, como a maioria das que estão neste post. As únicas que são de minha autoria é a da estrada para San Pedro e a de nós duas na igreja. A razão é a mesma dos posts anteriores: poupar a bateria da minha câmera que estava exauridíssima depois de 3 dias sem recarregar, viajando bravamente num deserto sem tomadas.
A maioria das fotos é do site San Pedro de Atacama.com, e que recomendo inclusive como fonte para dicas. Além, é claro, do Mochileiros.com, amigo fiel e irmão camarada dos meus roteiros doidos por aí...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aduana Boliviana: Saindo do país


Em tempo: essa foto também foi tirada do Google... Porque a bateria estava nas últimas...

Na verdade, a razão deste post não é nem para explicar como foi a saída do país, e sim para contar um dos pontos altos da nossa viagem, no segmento "comédia"!!!

Então, só para fazer constar a parte útil: a aduana boliviana é uma casinha no meio do deserto, onde os 4X4 de passeios semelhantes aos que fizemos deixam lá os turistas que vão seguir para o Chile. Então, é preciso entrar na fila, ser atendido por um guarda boliviano com cara de índio e mal humorado, pagar uma taxa de saída do país, carimbar a saída no passaporte e aí entrar em um microônibus que levará todos os turistas dali para a aduana em San Pedro.

E agora sim, a melhor parte - e a melhor frase da viagem:

Já estávamos dentro do microônibus, cheio de gente, pronto para ir para o Chile, quando entra o motorista uniformizado da companhia para dar as explicações gerais (do tipo "San Pedro é uma cidade chilena, com não sei quantos habitantes, blábláblá...):

" Nossa viagem até San Pedro de Atacama durará 1 hora. Na aduana chilena é proibida a entrada de drogas como maconha, cocaínha, heroína, crack e todos os tipos de alucinógenos. Portanto, caso tenham algum destes itens com vocês, consumam tudo em uma hora".

Verdade, juro... E o cara falou sério...

Tour no Deserto: Laguna Verde


Como dizer? Basicamente, a laguna verde é isto aí... Nem tava muito verde no dia... Mas parece um espelho. E é linda... E wordless...

Depois do mergulho, tomamos um café rápido (pão com "epa" e Coca Cola na temperatura ambiente - nossa sorte é que estava frio ainda!) e fizemos nossa última parada em território boliviano. Graças a Deus, e nada contra o país, mas é que estávamos doidas por um banho e um copo de coca bem gelada (o refrigerante, não o chá)...

Essa montanha enorme da foto é o vulcão Licancabur, que está na divisa com o Chile (70 km de distância de San Pedro). Enorme (o pico chega a 5900 metros, e pode ser alcançado através de agências de alpinismo contratadas em San Pedro) e ainda com alguns resquícios de neve no topo. No inverno, de acordo com nosso tiozinho-guia, a neve cobre ele todo.


Bom, só para dizer que a foto é minha (essa e a de cima) e que eu estava lá... Parece montagem, mas não é...




Bom, é isso... Próxima parada: aduana da Bolívia, finalmente!

Tour no Deserto - 3o. Dia: Gêiseres e os lagos termais

No terceiro dia, a programação é: ver o nascer do sol no deserto, ver os gêiseres, ver os lagos termais, visitar a Laguna Verde e, para quem seguir para o Chile, ser deixado na Aduana. E para quem optou em retornar a Uyuni, aguentar mais 18 horas de carro (tipo, praticamente tudo o que a gente andou em três dias, só que num tiro só). Definitivamente, não recomendo.
Para cumprir tudo isso, o tiozinho acorda a gente às 4:30 com toda a delicadeza de um Júnior Baiano para sairmos no jipe às 5 da manhã. Sem café da manhã.
Cansativo, mas valeu muito a pena, como tudo neste passeio até agora. O campo onde fica os gêiseres é enorme, parece um campo minado, cheio de fumacinhas saindo (umas espessas, outras mais finas). Não vimos nenhum explodindo, mas pela proporção do fumacê de alguns dava para ter uma idéia de como era o tamanho da criança (foto acima, que infelizmente não ficou muito boa porque nem a luminosidade do momento e nem o flash ajudaram. E como a bateria da câmera já estava exaurida depois de 3 dias funcionando direto sem carregar, resolvi não exigir muito da bichinha).

E aí, com o sol nascendo, voltamos para a estrada.
Em seguida, os lagos termais - estes, sim, uma das coisas mais lindas e impressionantes da Natureza!
Reparem que, na foto acima, a superfície desse lago enorme que vocês estão vendo está totalmente congelada!
Mostrando: Rochane "pisando" na água...


... e o gelo quebrando!







Só que, um pouquinho mais adiante, separado apenas por algumas pedras, tem um lago de águas termais, quente, com fumaça saindo, inclusive. Um ofurô natural - ao lado de uma lagoa congelada, ambos em pleno deserto!





E aí, é aquela história...
Tour no deserto: 150 dólares;
Biquíni: 80 reais;
Acordar às 4:30 da matina depois de não dormir nada a noite toda: $%#%$%#
Mergulhar e curtir uma piscina natural de água quente numa paisagem dessa: não tem preço...




Tour no Deserto - Laguna Colorada


No segundo dia do tour, tirando a Árbol de Piedra, as paradas são quase todas nos lagos coloridos, como eles chamam... A primeira foi onde almoçamos, há alguns posts atrás, e que honestamente não lembro o nome...

São lagos um pouco distantes entre si, e cujo nome corresponde à cor predominante: Laguna verde, Laguna Colorada... O que dá a tonalidade à água são os tipos de algas e planctons existentes em grande quantidade, azuis e vermelhos. Esta por exemplo, é a Laguna Colorada.


É também a quantidade de algas e plântons que atrai uma grande quantidade de flamingos...



... e vicuñas...


... que ficam reunidos tranquilamente ao redor das lagoas buscando alimentos.

Particularmente, achei o primeiro dia bem legal, devido ao cemitérios dos trens e ao Salar em si, que é fantástico... Este segundo dia, apesar das paisagens fantásticas (planícies a perder de vista, lagoas lindas e vários picos nevados) achei um pouco cansativa. Primeiro em razão da altitude em si, que aí beirava os 4800 metros e tornava difícil qualquer caminhada, além da dor de cabeça que estava matando...


2o. Pernoite: Foi feito em um abrigo próximo à Laguna Colorada, próprio para receber visitantes. Antes de entrar neste abrigo, é preciso entrar numa espécie de parque florestal - e pagar uma taxa simbólica para isso.
Observação: estou usando essa foto, tirada do blog Passos Andinos, porque não consegui tirar uma na hora (economia de bateria). Mas o lugar é esse aí, para vocês terem uma idéia!


O pernoite é bem humilde mesmo, mais ainda do que em San Juan del Rosario: não havia chuveiro para banho, o toalete ficava numa casinha na parte externa do abrigo (num frio de cinco graus, portanto) e cuja porta consistia dessas mini cortininhas de box. O quarto é coletivo (homens e mulheres, incluindo a menina inglesa que tinha passado os 3 dias sem tomar banho nem trocar de roupa).

Foi o único dia em que tivemos um jantar diferente (macarrão) e o tiozinho até ofereceu uma garrafa de vinho - sangue de boi toda a vida, mas que nos permitiu o glamour de um brinde ao jantar no meio do deserto.

As luzes se apagam às 21 horas e, devo dizer, foi uma das piores noites da minha vida. Não tenho problemas de coração, mas a gente dormia com uma taquicardia enorme (o coração batendo feito um louco para manter a oxigenação do corpo por causa da altitude). Muita gente passava mal e a dor de cabeça não deu folga. Por isso, repito: não deixem de comprar Soroche Pills e folhas de coca quando forem para lá...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tour no Deserto: Árbol de Piedra

Necessário explicar?

A segunda parada do passeio é em um conjunto de formações rochosas enormes, todas resultados naturais do processo de erosão causados pelos ventos. Só que, diferentemente de Salta, são enormes pedras menores em tamanho e isoladas uma das outras deserto afora, o que faz com que os formatos que elas adquirem assumam formas interessantes, como é o caso da Árbol de Piedra ( árvore de pedra) acima, a mais famosa - uma rocha única, gigante, totalmente erodida na parte inferior e sustentada por um pedacinho só de pedra!
Confesso que dá um certo nervoso ficar embaixo dela para tirar foto... A bicha é grande...
E em volta dela tem outras formações independentes e interessantes. Lembram um pouco aquelas pedras das paisagens de desenhos como Coyote e Papaléguas...
Venta muito, e óculos escuros são definitivamente necessários. Porque a areia do vento chega a incomodar o rosto.
E, assim como a Árbol de Piedra, tem várias outras formações rochosas onde um pedregulho enorme (e obviamente pesado) está sustentado através de uma área pequena, o que dá a impressão de que vai cair a qualquer momento - o que dá a oportunidade de fazer algumas brincadeiras nas fotos...
E, apesar da imagem inóspita que oferece, o deserto tem uma fauna razoavelmente rica... Além das vicuñas, flamingos e raposas, ainda conhecemos o tal bichinho abaixo, que é igual a um coelho com um rabo comprido tipo um esquilo...
Vale lembrar que não teve nenhum dia em que não vimos uma quantidade razoável desses animais...

domingo, 25 de outubro de 2009

Tour no Deserto: O primeiro lago

Então... essa foi o primeiro lago que conhecemos... Onde paramos para almoçar.


A paisagem é alucinante... Uma lagoa gigantesca e colorida, cheia de flamingos, com diversas montanhas nevadas ao redor...

Nosso carro parou alguns metros antes da lagoa, para o tiozinho preparar o almoço (que, em tempo, foi exatamente igual ao de ontem: arroz, pollo asado, salada e coca cola quente).

Enquanto ele preparava, nós tentávamos registrar as paisagens... Não cabia tudo numa foto... Impossível dizer o que era aquele lugar!



É bem verdade que o preparo da comida acabou atraindo mais colegas...



Esse bichinho fofo é uma espécie de raposa do deserto. Mansa, assustada, só fica rondando esperando sobrar alguma coisa para ela... Meio arredia para um bate papo...


Uma observação sobre a foto acima... Dá para ver algumas coisas brancas espalhadas pelo chão? Então, são restos de lixo deixados por outros trucks semelhantes ao nosso... Tava cheio disso lá... E dá uma pena, porque o pessoal não tem a menor noção de preservação de um santuário desses! Então, sério, recolham o lixo de vocês... Dava pena ver essa raposinha mexendo nos sacos plásticos que nem vira-lata.


Depois do almoço, um breve descanso... E pé na estrada de novo...

Tour no Deserto: Deserto, neve e sal

Acordamos cedinho, tomamos café da manhã (pão, queijo, leite puro ou com chocolate, manteiga e geléia - fartura feliz) e em torno das 8 da manhã já estávamos na estrada de novo.
O segundo dia é muito chão percorrido, mas onde é possível ver os vulcões dos altiplanos bolivianos (a maioria inativos), as lagoas coloridas e as pedras esculpidas pelo vento, entre elas a famosa Árbol de Piedra.
Ainda te, inclusive, uma área de salar, bem menor que o de Uyuni, mas também bonito o suficiente para fazer fotos bacanas... Como a minha e a de Rochane abaixo, fazendo graça numa linha férrea desativada...
Mas interessante é ver, perto dos salares, também os vulcões, todos com seus topos nevados (isso porque estamos ainda no verão, pois no inverno a neve praticamente cobre toda a montanha). E isso num deserto...
Ah, de vez em quando a gente vê passar um ônibus no meio do deserto também... Só para quebrar a monotonia...

Ah, vale lembrar que esse é o trecho mais alto do passeio... estamos a quase 4000 metros... A dor de cabeça fica insuportável, e chega quase a estragar o passeio. Haja Soroche Pills.
Metade do dia chegamos à primeira das lagoas coloridas, para um rápido pit-stop para o almoço.

Tour no Deserto: Algumas observações estéticas


Sobre os cabelos (principalmente para mulheres):

Baby, você está num deserto, e vale lembrar que aí já fazem dois dias que você não lava os cabelos porque a quantidade de água nos chuveiros sequer dá vazão para você tirar toda a areia do seu corpo. E para evitar que a água acabe quando você estiver no meio do processo, deixando seu cabelo outrora sedoso em uma massa disforme, você resolve lançar mão da amiga escova e tentar resolver do jeíto que dá...

Só que em San Juan del Rosario, a despeito de também ter pouca água, você também não vai lavar o cabelo (especialmente se ele for comprido). O que significa que ao final do terceiro dia, se você prender o cabelo muito provavelmente ele vai ficar na mesma posição por vários dias, de tão duro. Então, sugestões:
- Para quem usa leave-in, é uma... sim, ele vai ficar meio oleoso, mas pelo menos é um paliativo para não deixar a piaçava das vassouras morrendo de inveja das pontas do seu cabelo;
- Escova e pente, sempre e várias vezes ao dia... Ajudar a tirar a poeira;
- Boné, chapéu e echarpe para amarrar e proteger os cabelos;
- Muita fé e muita prece, porque a piaçava é passageira mas as fotos são para sempre. E daqui a pouco acaba. Imagine-se daqui a um mês mostrando as fotos para os seus amigos, linda, com os cabelos hidratadíssimos, brilhantes e cheirosos depois de uma sessão de SOS no salão, e dizendo: "Eu, ressacada no deserto? Menina, nem percebi!".



Sobre a pele:

A essa altura você já vai sentir os efeitos do deserto sobretudo no seu rosto. Lábios ressecadíssimos são os primeiros a dar sinal, a marca dos óculos escuros no rosto (se você não passou protetor). E, principalmente, se você passar a unha na pele da sua perna - e não interessa se ela estava coberta pela calça comprida - só vai ficar aquela linha branca. Então, por isso, lance mão dos hidratantes (corpo e rosto), além do protetor solar.

Ah, importante. Lembram daquelas toalhinhas baby wipes, que falei lá no início da viagem? Elas são ótimas quebra-galhos neste momento em que você saiu do banho no meio do deserto (porque a areia é muita e a água pouca, o que faz com que você continue com a sensação de que não está totalmente limpo). Então é legal passar essas toalhinhas pelo corpo antes do banho, pelo menos para tirar o excesso de areia. Mas sejam limpinhos e tomem banho, tá, porque só a toalhinha ninguém merece! No nosso carro, uma das inglesas ficou os três dias sem tomar banho nem sequer trocar a roupa. Não dava nem para conversar com ela.

Outra dica... Para os que levaram Rinosoro ou algum remédio para o nariz. É ótimo, porque a narina fica bem irritada e seca, e pode sangrar.