O Gustavo, um dos meus melhores amigos que mora em Curitiba, veio me visitar em março desse ano após uma lacuna de 2 anos sem nos vermos. E, num papo bem cabeça que rolou entre a gente num táxi de volta para casa, ele me contou:
- No Budismo tem um conceito muito interessante que diz que todas as coisas que acontecem na nossa vida acontecem neutras. Você é que escolhe qual o peso que você quer dar a elas – bom ou ruim, intenso ou leve.
E, segundo ele, a idéia é atingir, com isso, o equilíbrio, ou seja, nem partir para uma exaltação extrema, e nem resvalar para a depressão. Em ambos os casos perderíamos a capacidade de olhar com discernimento consciente e imparcial os acontecimentos da vida.
De certa forma, este blog faz parte de uma decisão que se baseia nesta conversa de tempos atrás. Decisão de dar um peso positivo às coisas que aconteceram na minha vida. E faço o caminho inverso para explicar o nascimento deste blog porque começar contando história triste é muito chato. Parece papo de coitadinho e esse, definitivamente, não é o caso.
Como sabem, fraturei a clavícula num acidente de carro, e de acordo com nossa respeitável medicina, não posso engessar, e sim ficar de 4 a 6 semanas deitada e imóvel, com os braços para trás, esperando pacientemente que o corpo forme o tal calo ósseo e junte em 1 o osso que resolveu se partir em dois.
Então, passadas as etapas de “Graças a Deus que estou bem e só quebrei um ossinho” (muito verdadeira) e “Que #@&%, tá doendo!” (etapa brabíssima, essa), cheguei na fase de tédio total, em que só me resta ficar imóvel, deitada, vendo TV, lendo, olhando os dias (ensolarados, lindos!) passarem pela janela e invejando a empregada ao dar aquela saidinha básica à padaria.
Ah sim, e reclamar da vida. Opção irresistível no momento...
Então, decido dar um fim útil à minha ociosidade destas ainda 2 semanas que me aguardam. E, dentre os vários projetos para tornar esse súbito excesso de tempo livre em algo construtivo para a nova Clavícula, digo, Clarissa, que estreará em breve, resolvo criar este blog, que vem suprir uma necessidade antiga: voltar a escrever, hábito abandonado há tempos, parte por preguiça, parte por puro bloqueio criativo mesmo.
O Dondeando nasce, então, como um exercício despretensioso. Tipo uma caminhada para os neurônios: sem cobranças de ritmo, só mesmo o prazer de colocar uma palavra atrás da outra.
E, como toda caminhada, vamos ver até onde ela vai...
Beijos a todos e, aos que me acompanharem, obrigada pela companhia!
Clarissa Donda
sexta-feira, 3 de julho de 2009
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Amiga, sou sua fã... Sem palavras...
ResponderExcluirGostoso de ler, inteligente e engraçado. Definitivamente, marcas registradas. Espero que reda frutos, prima, mas se for só por puro deleite neural, aproveitemos!
ResponderExcluirAdorei Cla! Vc escreve pacas.. Quero ler um livro seu um dia! Ehhhh, vou ter autógrafo da autora!! Como a Vivi disse, é gostoso ler as suas crônicas! Bjokas
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