quarta-feira, 29 de julho de 2009

Prólogo (minha filosofia de vida...)

Sou loucamente apaixonada por caminhos. Desde sempre.

Adoro a vista de caminhos se descortinando à minha frente, plenos de possibilidades, desafios e surpresas.
Coleciono, inclusive, paisagens de caminhos. De todo o tipo. Estradas retas, por exemplo, cujo traçado se perde no horizonte até onde não se pode ver, me arrebatam com a sensação de que eu tenho todo o mundo ali, inteirinho à minha frente e à minha disposição para conhecer.

Tem também as estradas em curva, misteriosas, que me aguçam a curiosidade de ir um pouquinho mais adiante, só para descobrir a surpresa que me aguarda mais à frente, e sempre mais à frente, à medida que vou avançando. E que nunca me faz cansar de prosseguir.

Gosto dos caminhos em aclives, porque me levam para mais perto do céu. E também aprecio as estradas nas descidas, que me premiam com uma vista surpreendente para descansar os olhos enquanto canso os pés.

Acho que a paisagem de um caminho é, de certa forma, uma metáfora da vida. Até porque ela nunca revela o destino final, e sim o ponto de partida, que é sempre a partir da ótica de quem vê.

E, então, a paisagem faz o convite. Chama ao movimento, ao ritmo do passo e ao mergulho através dela.

Uma estrada, portanto, só existe no olhar de um andarilho. E cabe a ele aceitar o convite do primeiro passo.

Estradas, como a vida, são feitas para jornadas e não para destinos. E é indo longe através delas que descobrimos o quão longe somos capazes de ir.

Gosto de caminhos diferentes. Para conhecê-los, porém, paga-se às vezes o tributo de percorrê-lo sozinho – mas a experiência, assim como a caminhada, é única.


Por isso, talvez, que eu tenha me tornado uma mochileira convicta. Não pela economia, mas pelo desbravamento. Sou fã de janelas de carro e de ônibus. Prefiro o pé ao metrô. Mil vezes curtir a paisagem rolando do que só visitas pontuais. Afinal, um traçado é sempre mais rico do que um ponto.



Volta e meia, é claro, curto o prazer de olhar para trás e ver com orgulho (ou não) toda a trajetória que percorri até agora, registrada em fotos e lembranças.

Mas sei lá... Nesses momentos nem perco muito tempo olhando o que passei.
Porque no fundo o que me interessa é para onde vou.


E isso eu ainda não decidi, para ser sincera. Mas esse é o bacana dos caminhos...

Eles começam a existir quando a gente os escolhe.

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