sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dondeandei Parte 1: Mochilão América do Sul


Após confessar minha predileção por caminhos e mochilões por aí, no penúltimo post, fiquei de bobeira viajando nas fotos que tinha postado para vocês, lembrando dos lugares de onde as tirei. Aí resolvi começar o post “Dondeandei” pela minha última aventura de mochileira por aí (mas não a última viagem), pela América do Sul.

Foram 21 dias por quatro países (Argentina, Bolívia, Chile e Peru) com alguns (poucos) dólares no bolso, uma mochila nas costas e uma amiga ao lado. O roteiro incluía alguns pontos-chave (Machu Pichu e San Pedro de Atacama) ao lado de cidadezinhas pequeniníssimas e quase desconhecidas, como Arica no Chile e Salta na Argentina, mas que valeram muita a pena conhecer, especialmente porque não as visitaríamos se estivesses presas aos roteiros tradicionais.

A idéia era fazer a viagem mais barata possível, muito ônibus e pouco avião, mas sem nunca descuidar de um razoável conforto e segurança. Ou seja, ficar em albergues, sim, mas só nos melhores que a cidade disponibilizava (alguns deles eram melhores que hotéis, inclusive), e sempre com quarto e banheiro privativo (quando tinha, devo dizer). Claro que isso não nos impediu de passar alguns séééérios perrengues, que serão descritos detalhadamente mais à frente, mas todos estes não foram por uma falta de cuidado nossa, e sim porque era inerente ao roteiro e à aventura que o lugar pedia. Ou seja, querer visitar o deserto da Bolívia no luxo de cinco estrelas é algo que não se consegue fácil, mesmo podendo pagar por isso.

Mas, como podem ver, certos perrengues podem valer a pena...



Então, como tudo vale a pena se a alma não é pequena, fomos!

O roteiro fui eu mesma que pesquisei, com base nos relatos das listas de discussão no site Mochileiros.com (aliás, ótimo para quem quiser dicas de qualquer coisa, mesmo que siga um roteiro montado). É só procurar a lista de discussão do lugar do seu destino e pesquisar dicas de pessoas que foram para lá, e que sempre indicam achados (e roubadas) que a gente não descobre nos roteiros comuns. Acreditem, a dica é válida.

Claro que nem todas as informações tinha lá, tipo como ir de um lugar ao outro, mas como diz o ditado, se tem coisas que nem o Google sabe, então ou não existe mesmo, ou é melhor checar ao vivo. Então, nossa viagem foi assim, agradando gregos precavidos e troianos incautos: um pouco organizada, e um pouco aventura, no esquema “chegando lá a gente resolve”.

Vou descrevendo o roteiro da viagem aos poucos, mas como boa jornalista preciso fazer, logo no início, o serviço da minha matéria. Ou seja, as dicas e informações que podem ajudar na hora de montar um roteiro parecido.

Coisas importantes de se observar:

Companhia: Importantíssimo. Tive a sorte de fazer minhas viagens sempre ao lado de amigas maravilhosas e divertidas. Mas conviver junto, em lugares diferentes, pode ser uma festa no início, mas muda bastante de figura na hora do perrengue. É bem verdade que nos meus dois mochilões a companhia em questão não era minha amiga na época (virou durante a viagem), mas tudo começou na base do convite “vai sair de férias também? Vamos viajar, então?”. Dei (muita) sorte nas primeiras vezes, mas sabe como é. Gente mala não tem cara, e consegue fazer o melhor dos passeios ser um fiasco.

Vacina: Para viajar para o Chile, Peru e Bolívia tem que ter o certificado de que você tomou a vacina amarela (e tem que ser um certificado amarelinho, traduzido e carimbado oficial), e só é possível embarcar para esses lugares se a data da vacinação for anterior no mínimo dez dias antes do dia do vôo. Eu não tinha acreditado no início, afinal tudo na vida dá-se um jeito, e acabei passando um belo sufoco por isso.
Em tempo: Eu viajei em março do ano passado, quando gripe suína era problema só de porco e não de gente, de modo que eu não sei a quantas anda a questão de saúde para viajar para esses lugares. Melhor buscar uma fonte mais qualificada que eu.

Dinheiro: Levei dólar, e nem levei muito não. Acho que levei 500 dólares na verdade, mais para andar e pequenas compras, e deixei o cartão para pagar as hospedagens e passagens de avião. Deu tranquilamente para 20 dias. Mas só é importante lembrar que, como malandro não tem só no Brasil e “nuestros hermanos” sempre nos olham com cara de que temos muito dinheiro, o ideal é ir trocando aos poucos e guardando os dólares restantes em um lugar seguro (eu levava no tênis). Já a moeda local é bom ter alguns trocados à mão, porque especialmente na Bolívia e no Peru para tudo eles pedem gorjeta. Espirrou, “paga propina”.

Idioma: Não falo espanhol, mas sou mega fluente no portunhol. E se você é brasileiro, um pouco de simpatia resolve qualquer problema de comunicação.

Passaporte: Os quatro países aceitam sem problemas se você for entrar com carteira de identidade. Mas, honestamente, eu não dispensaria o passaporte, se pudesse. São quatro carimbinhos a mais no seu currículo de viajante. Relíquias de viagem priceless!
Outra coisa é que, se levar seu passaporte para entrar na reserva de Macchu Pichu, ganha um carimbo fofo!

Roupas: Regra de mochileiro, quanto menos volume e peso, melhor. Mas é importante não passar necessidade. Íamos em março, época de chuvas no Peru, mas não de muito frio. San Pedro de Atacama era deserto, logo, seco. Buenos Aires teria uma tempetaura agradável, mas chuva leve. O desafio era o deserto da Bolívia, que faz um calor insuportável de dia e uns 4 graus à noite. Solução: muitas blusinhas leves e agradáveis, 2 calças jeans, 1 bailarina (seca rápido e não ocupa volume), dois tênis (para andar muito), um casaco leve, uma echarpe e um mega casacão. No frio intenso, o casacão segurava. No calor, blusinhas para que te quero.
Geralmente não levo sandália alta. Levei uma vez, e só serviu para a minha sandália contar para as outras amigas sandálias dela que ficaram no armário que ela foi passear. Peso e espaço sem utilidade. Prefiro uma rasteira fofa.
E, não sei vocês, mas o que eu economizei na roupa e mando ver na nécessaire. Todos os cremes necessários para cabelo, rosto, olhos, corpo, mão, etc. Morro de sede no deserto, mas morro com a pele hidratada igual bundinha de neném.

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