terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um vislumbre da Bolívia: viajando de ônibus até a fronteira!




A viagem tava tranquila, não tava? Quer dizer, tirando o stress no aeroporto, tava tudo lindo, né?

Pois é... Alguém lá em cima olhou pra gente e também achou que tava facilitando demais a nossa vida...

Bom, fomos até La Quiaca, divisa com Bolívia.

Aí entramos no primeiro dos vários conceitos que formularíamos posteriormente sobre a Bolívia, e vou descrevê-los a vocês.

Primeira consideração boliviana: Bolívia significa "Problema". Parece tipo um daqueles feitiços de filmes de Indiana Jones, que basta você pronunciar o nome do país ou qualquer coisa relacionada a ele dá tudo errado? Então...


Escolhemos o ônibus que saía à meia noite de Salta. Escolhemos os lugares da última fila, pois o ônibus não tinha banheiro (e no fim das contas achei que isso era mais uma vantagem do que algo ruim), pois, ao invés de quatro poltronas (duas de cada lado), eram cinco, com uma de frente para o corredor. Contávamos, assim, do ônibus estar mais vazio (a cidade toda estava, naquela época. E dentro de nossas cabecinhas de alpiste, não tem tanta gente assim querendo ir para a Bolívia, né?) e de podermos nos espalhar pelos bancos.


E realmente o ônibus partiu assim, bem vazio, com umas dez cabeças dentro, e quase ninguém lá trás. Ô alegria!!!!!!! Eu e Rochane já saímos nos acomodando confortavelmente, cada uma de um lado!

Só que o ônibus fez uma parada num fim de mundo qualquer (não tinha indicando isso no roteiro, quando compramos), e de repente o ônibus se encheu com vários, mas vários bolivianos!!!!!!

Todos com a mesma cara redonda de índio, cabelinho espetado e enrolados naquelas mantas coloridas deles. E, acredito eu, se eles tomaram banho nos últimos cinco dias, esqueceram de lavar as roupas. Uma catinga só!

Segunda consideração boliviana: em qualquer ônibus que opere na Bolívia, ou que leve bolivianos dentro dele, como era o caso, a capacidade máxima de passageiros dentro do ônibus será sempre avaliada em quantos conseguem entrar, e não na quantidade de assentos disponíveis. Portanto:

Caso 1: esqueça se o seu assento é numerado. Se você não chegar antes e tiver alguém sentado no seu, viaje em pé, fio.

Caso 2: Se você tiver obtido a graça divina de chegar antes e sentar no seu lugar bonitinho, nada impede que do seu lado sente uma mãe com 4 crianças, todas elas no colo dela (e sempre vai ter uma que vai acabar escorregando para o seu). Também nada impede do marido dela ficar de pé, na sua frente, com a barriga gorda no seu ângulo de visão, a mão se apoiando no seu encosto e de cair em cima de você em cada freada brusca. Ah, sim, isso é normal e eles não vão pedir desculpas. Os incomodados é que se mudem.

Chegaram então quatro bolivianos. Três se instalaram nos bancos ao nosso lado (ficamos, portanto, espremidíssimas) e o quarto, uma criança, sentou com a mãe no nosso lado. Até aí, tudo bem, direito deles.. Mas dois deles estavam carregando volumes enormes sei lá de que ( acho que foram os bolivianos que deram origem à expressão "sacoleiros". Não vi um, em toda a minha viagem, que levasse algo parecido com uma mala ou bolsa de viagem. Todos enrolam suas bacagens naqueles panos coloridos, e amarram com uma fita para carregar), e simplesmente acomodaram os trecos deles ali, no espaço mínimo em que a gente estava.

Terceira Consideração Boliviana: Os ônibus na Bolívia (e aquele de Salta, que foi o único fora do país que vi acontecer isso) tem aquele espaço na parte inferior para você acomodar a bagagem, mas para colocar lá você tem que dar uma "propina" (gorjetinha no valor irrisório de 2 pesos por bolsa) para colocar lá. Mas que nenhum boliviano coloca, não sei se por pão-durice, porque o povo é pobre ou os dois juntos. E o que acontece é que eles, que já são sempre em número superior que os assentos dos bancos, ainda levam suas mil tralhas lá pra cima, e que vão acomodando nos pés deles, no colo deles ou no corredor do ônibus. Então, mais uma vez, se você chegou atrasado e perdeu seu lugar, por favor arrume um lugar no corredor e divida-o amavelmente com as tralhas dos outros - sem pisar, por favor, senão nego te olha de cara feia!

Inclusive, cenas como a abaixo são super comuns. Se você presenciá-las, não se surpreenda - e nem reclame!




Resultado: cinco lugares, eu e minha amiga, 4 Evo Morales e várias tralhas. Deliciosas 7 horas de viagem!

Ah, esqueci de dizer... Vocês lembram de ter viajado alguma vez nos últimos lugares de um ônibus? Pois é... Eles não reclinam!

PS: as fotos são meramente ilustrativas, by Google. Estávamos meio boladas para tirar fotos de lá (visto que éramos as únicas que não tinham cara de índio no ônibus). E não seria mentira também dizer que se a gente corresse o risco de tirar o braço do lugar para procurar a câmera seria difícil conseguir colocá-lo de volta.



2 comentários:

  1. Querida..pq vc não foi de AVIÂO?? E só para lembrar, sou boliviana e não tenho cara de índia...e realmente o povo indígenada da Bolívia é pobre. FODA é aqui no Brasil que com dinheiro ou não,todos tem a mesma cara...rsrsssr Nunca sabemos quem temer como vcs temeram os "Cara de ídio". Lamento por vc!!!

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  2. Desculpe a falta do "n" no índio rsrsrrrs

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