domingo, 27 de dezembro de 2009

San Pedro de Atacama



Bom... Após séculos e muitas reclamações dos meus 3 únicos leitores, retomo a narrativa das aventuras de Clarissa "dondeandando por aí"! Shame on me, galera, eu sei...

Vamos lá... Nossa tão esperada chegada em San Pedro de Atacama!!! Mas minha ética jornalística me impede de pintar a cidade com todas as cores que a gente sempre imagina ao ler os catálogos de turismo fofos (e os preços) mencionando a cidade... Até porque, a cidade é, basicamente, essa foto aí de cima... Totalmente marrom...

San Pedro de Atacama é, principalmente, um oásis no meio do deserto, um ponto de apoio com hotéis, restaurantes, lojas de souvenirs e muitas agências de turismo para levar os turistas a passeios pelas redondezas (veja o mapa):



É de lá que saem as excursões para o Salar do Atacama, os Geyseres del Tatio, excursões de alpinismo para o Licancabur (vulcão que vimos há alguns posts atrás) e outras maravilhas do deserto, incluindo-se aí uma excursão num 4X4 igualzinho a que fiz, só que no sentido inverso: San Pedro - Uyuni.

É uma cidade turística e, portanto cara. Bem cara. Não só pelo turismo, mas por ter que sustentar uma estrutura bem naquela meiuca do deserto. Água é cara. Internet também. Vôos idem. Não vale a pena colocar valores atualizados aqui, porque isso muda o tempo todo, mas lembro que as pesquisas de vôos que eu havia feito saindo de Santiago e indo até San Pedro eram caríssimos ( tipo, o triplo de um vôo Santiago - Patagonia chilena, por exemplo), o que fez com que a alternativa "perrengue de truck via Bolívia" saísse mais em conta financeiramente (além, é claro, dos bônus das fotos e visitas da viagem, que isso Mastercard não paga. Nem as histórias, que rendem depois ótimas conversas no bar e até, eventualmente, um blog).

Para os mochileiros que perguntarem: ônibus de Santiago até lá também não recomendo. Muito tempo na estrada, muita volta, muita montanha... Vale a pena só se incluir aí um bom roteiro no caminho e tempo para curtir.

Mas, como disse, San Pedro de Atacama é um óasis no deserto - especialmente se você, como nós, realmente estiver vindo de um, por 3 dias, sem tomar banho, com o cabelo tão macio quanto o de uma espiga de milho recém colhida, com areia em lugares inimagináveis, desconhecendo o significado das palavras "ar condicionado", "bife", "privada com descarga" e "coca-cola com gelo" (aliás, qualquer coisa com gelo).

A verdade é que, nossa primeira imagem de puro deleite foi a estrada para a aduana de San Pedro (a despeito da recomendação pró-drogas do guia boliviano que nos levava). Era a primeira vez em 4 dias que víamos asfalto. Como era liso, então, foi quase um êxtase.



O interessante é que a viagem, de uma hora, é simplesmente uma grande descida. Saímos dos 4.600 metros de altitude para 2.400. Era uma delícia! Nitidamente nós sentíamos a cabeça parar de latejar, começávamos a respirar melhor e o ouvido ficava estalando, como que "desentupindo" por causa da pressão. Chegamos na aduana como novas.

Primeira ação: guardar as mochilas, trocar dinheiro e procurar um restaurante com banheiro (tem uns bastante simpáticos por lá, com comidas universais como pizza, hamburguer e sorvete). Não tinha chuveiro, mas pudemos lavar o rosto com água corrente (maravilha!), fazer uso das mínimas instalações de saneamento básico (bendita civilização!) e pedir, luxo dos luxos, um X-tudo completo (pão, hambúrguer, queijo, salada e um ovo estalado lindamente em cima), acompanhado de batatas fritas e um refrigerante COM VÁÁÁÁÁRIAS PEDRAS DE GELO!!!!

Justiça seja feita: a cidade não tem quase nada. Mas amei ter chegado lá.

Refeição feita e dignidade reavida, fomos ver o que San Pedro tinha a oferecer. Basicamente, a cidade é bem pequena: ruazinhas como as da foto abaixo e a que usei para iniciar este post.


San Pedro oferece bastante opções de passeios próximo dali, como a visita ao Salar de Atacama...


... que é bem menor em dimensões do que o de Uyuni, mas igualmente bonito, especialmente porque conta com a visão do Licancabur no horizonte, como na foto.

Tem também os Geyseres del tatio...


... e passeios para o lado de cá da Bolívia, para visitar a Árbol de Piedra e as Lagunas Coloradas e Esmeralda.

Todos passeios que valem a pena e recomendo, mas como já tínhamos visto de tudo e estávamos super legais de deserto, e a cidade em si não tem muito mais a oferecer do que isto, optamos por comprar uma passagem de ônibus no mesmo dia à noite para Arica, fronteira do Chile com o Peru.

Foi um bom negócio, pois não gastamos hospedagem em San Pedro (era caro), visitamos a cidade o suficiente para marcá-la em nosso "checklist" de lugares para conhecer, deu um tempo para comermos bem (com ênfase no "bem"), acessar a internet e ver e-mails, dar uma voltinha e tirar ainda uma foto na Igreja de San Pedro, símbolo da cidade.


Só não deu para tomar banho... de novo... Mais um dia catinguentas... Argh!
Em tempo: Como o ônibus só saiu à noite, deu tempo de fazer algo que é imperdível para qualquer um que visitar San Pedro: assistir o pôr-do-sol.
Como é uma das regiões mais secas do planeta, o céu não tem nenhuma umidade, então as cores do sol adquirem nuances muito mais vívidas.


É tipo isso... A foto não é minha, como a maioria das que estão neste post. As únicas que são de minha autoria é a da estrada para San Pedro e a de nós duas na igreja. A razão é a mesma dos posts anteriores: poupar a bateria da minha câmera que estava exauridíssima depois de 3 dias sem recarregar, viajando bravamente num deserto sem tomadas.
A maioria das fotos é do site San Pedro de Atacama.com, e que recomendo inclusive como fonte para dicas. Além, é claro, do Mochileiros.com, amigo fiel e irmão camarada dos meus roteiros doidos por aí...

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